Fabricantes de pesticidas discutiram com defensores da saúde e do meio-ambiente na quarta-feira sobre um assunto polêmico: se a Agência de Proteção Ambiental (EPA) deveria aceitar números revelados por estudos nos quais pesquisadores fizeram com que as pessoas bebessem pesticidas ou outros produtos químicos para determinar a toxidade. Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos e em outros países com voluntários que recebem entre algumas centenas de dólares e mais de US$1 mil. Os estudos não são comuns, disse um porta-voz do EPA, observando que nos últimos quatro anos 15 deles tinham sido mandados à agência. Em 1998, citando preocupações éticas e científicas, a agência declarou uma moratória ao uso dessas informações. Em dezembro de 2001, ela pediu à Academia Nacional de Ciências para reunir especialistas para fornecerem consultoria. O grupo, que se reuniu na sede da academia para ouvir comentários públicos, deve divulgar seu relatório em dezembro. Uma equipe de consultoria anterior, que não era da academia, tinha brigado pelo mesmo motivo mas não chegou a um consenso. Lynn Goldman, ex-oficial da EPA que é professora na Universidade Johns Hopkins e presidente da diretoria da Rede de Saúde Ambiental Infantil, disse que os fabricantes de pesticidas tinham renovado seu interesse nos estudos humanos. Goldman disse que esses estudos tinham sido usados no passado mas caíram na década de 1980, provavelmente porque passou a ser mais difícil obter aprovação do comitê de ética. Um motivo pelo qual os fabricantes de pesticidas querem os estudos, de acordo com Goldman e outros participantes, é o Ato de Proteção da Qualidade Alimentar de 1996. Essa lei reduziu amplamente os níveis de muitos pesticidas permitidos nos alimentos para proteger as crianças mais novas. Os níveis permitidos variam de acordo com a substância, dependendo dos testes de toxidade em animais. Os fabricantes de pesticidas dizem que embora os estudos de animais muitas vezes sejam válidos, eles podem ser enganadores, porque os animais podem ser muito mais ou muito menos sensíveis do que os humanos a certos produtos químicos. Em alguns casos, dizem as companhias, os estudos em humanos são indispensáveis. O CropLife, um grupo comercial para fabricantes e distribuidores de pesticidas, entrou com um processo federal no ano passado para obrigar a EPA a considerar informações de estudos de toxidade em humanos. O vice-presidente do grupo e o conselheiro geral, Douglas T. Nelson, disseram que a recusa da agência a usar os estudos violava várias leis, incluindo um estatuto que a leva a considerar todos os dados relevantes e confiáveis. Na reunião de quarta-feira, cientistas e consultores que trabalham para companhias de químicos e pesticidas disseram que seus estudos humanos foram realizados com altos padrões éticos e científicos e que os assuntos não eram prejudicados. Um porta-voz do CropLife ligou os estudos com pesticidas a estudos farmacêuticos e se referiu aos testes com pesticidas como testes clínicos, o nome dado a experiências médicas em pessoas. Questionado por um membro do grupo se eles conheciam casos com efeitos adversos que não tivessem sido informados, quatro pesquisadores que descreveram testes químicos em humanos disseram que não. Mas defensores da saúde e do meio-ambiente disseram que os fabricantes de pesticidas realmente queriam criar estudos que os ajudariam a reduzir os padrões do Ato de Proteção da Qualidade Alimentar. Alan H. Lockwood, professor de neurologia e medicina nuclear na Universidade Estadual de Nova York em Buffalo, falou em nome dos Médicos pela Responsabilidade Social, um grupo de 23 membros que é contra o uso de pessoas para estudar a toxidade de pesticidas ou outros produtos químicos. Uma base para a objeção do grupo, de acordo com Lockwood, é a posição de que os estudos violam o juramento do médico de "não causar danos". Lockwood mencionou um formulário de consentimento dos participantes e
Uso de humanos para testar pesticidas gera polêmica
Quinta, 09 de Janeiro de 2003 às 22:05, por: CdB