Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Uso de drogas sintéticas aumenta em 300%

Quinta, 07 de Julho de 2005 às 07:48, por: CdB

O uso de drogas sintéticas está presente no dia-a-dia de 90% dos jovens de classe média alta, de 18 a 25 anos, e com alto nível cultural. O Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) aprrendeu 10 mil comprimidos de ecstasy de janeiro a abril deste ano, e divulgou um estudo que destaca o crescimento de 300% nas apreensões de ecstasy e anfetaminas, em relação à média mensal do ano passado, só em São Paulo. Neste ano, o Denarc já prendeu 153 universitários traficando drogas sintéticas. As drogas são facilmente vendidas em festas raves, danceterias e universidades.

No primeiro trimestre deste ano foram apreendidos 10 kg de drogas sintéticas em todo o estado. Para combater o tráfico destes tipos de entorpecentes, o Denarc implantou, em junho de 2003, a Operação Dancing, feita em casas noturnas e em raves.

Em alguns casos, o Denarc descobriu não só a conivência como a colaboração dos próprios organizadores de festas que vendem a droga. Em junho, no município de Arujá, em São Paulo, dez pessoas foram presas em uma rave, com ecstasy e comprimidos de LSD. Entre os detidos estavam organizadores e seguranças que forma flagrados pela Polícia distribuindo as drogas no evento.

Investigações feitas pela polícia revelaram que jovens estão preparando coquetéis chamados "sixtasy", que misturam maconha, ecstasy, cocaína, LSD, a remédios para impotência sexual. Até substâncias de uso veterinário são utilizadas: a Ketamina é desidratada e consumida na forma de pó. Há ainda novas drogas como o Ice - cristais consumidos em cachimbos, como o crack; o ecstasy líquido e o GHB, anestésico de uso médico, sem cor, cheiro ou sabor, conhecido como "droga do estupro", pois causa perda da consciência.

O consumo aumentou devido ao efeito prolongado de algumas dessas drogas, que pode chegar a até 10 horas, e também pelo fácil acesso dos usuários. O relatório da ONU mostra que 38 milhões de pessoas no mundo são usuários de drogas sintéticas. Segundo o departamento, os entorpecentes são trazidos, sobretudo, da Holanda, e, já no Brasil, os comprimidos são adulterados, e assim os jovens sentem necessidade de consumir mais cápsulas por noite.

Em maio, o Denarc apreendeu, pela primeira vez no Brasil, a "cápsula do medo", cujo princípio ativo é o DOB, substância que, segundo o departamento, pode provocar 80 horas de alucinação no usuário. A droga era vendida no centro acadêmico de uma universidade de São Paulo.

- As drogas sintéticas podem causar pressão alta, convulsões, hemorragia cerebral, além de morte súbita devido à parada cardíaca ou respiratória. Ao potencializar a droga com a ingestão de álcool, os danos psicológicos podem ser irreversíveis - destacou o delegado Luiz Carlos Magno, assistente da Divisão de Prevenção e Educação do Denarc.

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