Rio de Janeiro, 30 de Outubro de 2026

Usinas nucleares contribuem para efeito estufa, revela <i>Greenpeace</i>

A entidade ambientalista Greenpeace apresentou na segunda-feira um relatório sobre a emissão de gás carbônico a partir do funcionamento da usina nuclear de Angra 3. Intitulado Cortina de Fumação: Emissões de CO2 e Outros Impactos da Energia Nuclear, o estudo mostra que as emissões da usina poderiam atingir até 400 gramas de gás carbônico (CO2) por quilowatt/hora gerado de energia. O nível mínimo de emissões na atmosfera seria de 150 gramas de CO2 por quilowatt hora. (Leia Mais)

Segunda, 26 de Novembro de 2007 às 22:34, por: CdB

A entidade ambientalista Greenpeace apresentou na segunda-feira um relatório sobre a emissão de gás carbônico a partir do funcionamento da usina nuclear de Angra 3. Intitulado Cortina de Fumação: Emissões de CO2 e Outros Impactos da Energia Nuclear, o estudo mostra que as emissões da usina poderiam atingir até 400 gramas de gás carbônico (CO2) por quilowatt/hora gerado de energia. O nível mínimo de emissões na atmosfera seria de 150  gramas de CO2 por quilowatt hora. O estudo foi apresentado no Rio de Janeiro durante audiência pública promovida  pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

O relatório trata das emissões de gases de efeito estufa no ciclo de energia nuclear no Brasil. Em entrevista à Agência Brasil a  coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace, Rebeca Lerner, afirmou que o relatório quer “rebater esse argumento de que a energia nuclear seria uma energia mais limpa  e uma solução para o aquecimento global”.

Ela reiterou a posição da Greenpeace que é contra a retomada da usina e o uso da tecnologia nuclear  para geração de energia de modo geral.

Os números do relatório da organização não-governamental (ONG) levam em consideração desde a etapa de extração do urânio nas minas até o descomissionamento (desinstalação) da usina ao fim de sua vida útil, estimada entre 30 a 40 anos. As etapas intermediárias seriam a fabricação do combustível nuclear; transporte do combustível; construção da infra-estrutura da usina; operação; e gerenciamento de rejeitos radioativos.

Para os cálculos, a ONG utilizou uma metodologia desenvolvida internacionalmente, aplicada na Inglaterra e na Alemanha, e adaptou ao caso nacional de Angra 3.

— Essa metodologia estuda o gasto energético de cada uma dessas etapas da produção da energia nuclear. E a geração dessa energia que é consumida nesse ciclo provoca emissões de gases de efeito estufa —, informou Lerner.

A coordenadora da Campanha de Energia do Greenpeace reconheceu que o provável índice de emissões de 150 gramas de gás carbônico por quilowatt hora de Angra 3 “é menor do que o de uma termelétrica a diesel ou a carvão mineral, mas é mais alto do que uma hidrelétrica, que o uso da biomassa, da energia eólica ou da energia solar”.

De acordo com o documento, o índice de emissões de  uma usina nuclear como Angra 3 seria cerca de cinco vezes mais alto do que a poluição atmosférica gerada pela energia solar e pela energia eólica. As emissões de uma usina hidrelétrica oscilariam entre 20 e 300 gramas de CO2 por quilowatt/hora, índice menor que o da geração de energia nuclear.

Já o maior nível de poluição é encontrado na usina térmica a carvão, de 800 a 1,3 mil gramas de gás carbônico pro quilowatt/hora. Rebeca Lerner revelou, ainda, que o índice de emissões de gases do efeito estufa de uma termelétrica a biomassa também é menor que o da usina nuclear e varia de 40 a 80 gramas de CO2 por quilowatt/hora.

De acordo com Rebeca Lerner, ao divulgar o documento, o Greenpeace deseja fomentar o debate. As últimas audiências públicas sobre Angra 3 foram realizadas pelo Ibama em junho, nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro, na Costa Verde Fluminense.

O Greenpeace também insiste na importância de encontrar locais adequados para a destinação dos rejeitos radioativos que, segundo expôs Lerner, continuam sem solução pela Eletronuclear, estatal que opera as usinas nucleares no país. 

— Os rejeitos que já são gerados hoje pelas usinas de Angra 1 e 2 continuam sendo armazenados de forma provisória no próprio local das usinas. E com a construção de Angra 3, esse problema  vai se agravar —, explicou.

Rebeca Lerner afirmou que ainda não há encaminhamento para o licenciamento de um eventual depósito de lixo nuclear. 

A ONG ambientalista questiona, na Justiça, a legalidade da usina e solicita a suspensão da r

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