Os novos planos do governo dos Estados Unidos para estreitar procedimentos de segurança em viagens aéreas estão provocando objeções de grupos que defendem as liberdades civis. O novo sistema do governo checaria informações e determinaria o nível de alerta de ameaça para qualquer pessoa que comprar uma passagem em vôo comercial. Os ativistas vêem aí uma possibilidade de invasões inconstitucionais de privacidade e de uma mistura de bancos de dados que poderia levar pessoas inocentes a serem rotuladas como ameaçadoras para a segurança. - Este sistema ameaça criar uma lista negra permanente de norte-americanos que não podem viajar livremente - disse Katie Corrigan, advogada da American Civil Liberties Union (Aclu). Há também o temor de que o governo esteja desenvolvendo o sistema sem revelar como as informações serão reunidas e por quanto tempo serão mantidas. O sistema, ordenado pelo Congresso depois dos atentados do 11 de Setembro, reunirá muito mais informações sobre os passageiros do que era feito antes. A Delta Air Lines vai testá-lo em três aeroportos que não foram revelados, a partir do mês que vem. Um sistema mais abrangente seria instalado até o fim do ano. Funcionários da área de transportes dizem que será construído um sistema nacional de computadores que checará coisas como relatórios de crédito e atividade de conta bancária, comparando os nomes do passageiro com aqueles que constam das listas de observação do governo. Seus defensores dizem que o sistema eliminará pessoas perigosas, ao mesmo tempo em que garante que os cidadãos que cumprem a lei não passarão por um escrutínio desnecessário. Autoridades do setor de transporte dizem que o sistema, chamado de CAPPS II (Computer Assisted Passenger Prescreening System) usará bancos de dados que já operam em linha com leis de privacidade e que não vão traçar perfis com base em raça, religião ou etnia. "O que o sistema faz é acessar muito rapidamente os bancos de dados existentes de modo que possamos validar depressa a identidade da pessoa", explicou o secretário de Transportes Norman Mineta. Companhias aéreas já fazem investigações rudimentares Um painel de supervisão, que vai incluir um membro do público, está sendo formado. A Administração de Segurança nos Transportes vai estabelecer procedimentos para resolver queixas de pessoas que disserem que não pertencem às listas de observação. O porta-voz do Departamento de Transportes, Chet Lunner, disse que é inexata uma nota do Registro Federal que confirma que as informações ficarão armazenadas por 50 anos. Segundo ele, as informações serão mantidas apenas quando se tratar de pessoas consideradas perigosas para a segurança. - Quando está dito 50 anos por escrito, gostaríamos de ver algo mais por escrito para contrariar isso - afirmou. As companhias aéreas já fazem checagens rudimentares das informações dos passageiros, como forma de pagamento, endereço e data em que a passagem foi reservada. O sistema foi desenvolvido pela Northwest Airlines no início dos anos 1990 para identificar possíveis seqüestradores. Um comportamento incomum, como a compra em espécie de uma passagem apenas de ida, deve imediatamente aumentar as revistas no aeroporto. O capitão Steve Luckey, piloto comercial que ajudou a desenvolver o sistema, disse que o CAPPS II vai ajudar a discernir as possíveis intenções de um passageiro antes que este entre num avião. Ao contrário do sistema atual, no qual os dados permanecem no sistema de reservas das companhias aéreas, o novo sistema será administrado pela TSA. Somente os funcionários do governo, com a devida autorização de segurança, poderão usá-lo. Em que taxa de risco você estaria incluído? O CAPPS II vai reunir dados e classificar o risco potencial de cada passageiro de acordo com um sistema de três cores: verde, amarelo e vermelho. Quando o passageiro fizer o check in, seu nome será introduzido no sistema e seu cartão de embarque será
USA terá programa de investigação compulsória em viagens aéreas
Os novos planos do governo dos Estados Unidos para estreitar procedimentos de segurança em viagens aéreas estão provocando objeções de grupos que defendem as liberdades civis. O novo sistema do governo checaria informações e determinaria o nível de alerta de ameaça para qualquer pessoa que comprar passagem em vôo comercial. (Leia Mais)
Domingo, 02 de Março de 2003 às 09:35, por: CdB