Recentemente, o governo uruguaio já havia determinado a suspensão do acesso – de carro ou a pé – às outras duas pontes binacionais – Gualeguaychú-Fray Bentos e Colón-Paysandú. Neste domingo, de acordo com o jornal argentino Ambito Financiero, 200 caminhões, dos diferentes países do Mercosul estavam parados do lado argentino sem conseguir atravessar para o Uruguai.
O objetivo de Vázquez, segundo o jornal uruguaio El País, é impedir que manifestantes argentinos cheguem ao território uruguaio para protestar perto da fábrica de pasta de celulose Botnia, na cidade uruguaia de Fray Bentos.
Esta fábrica, de capital finlandês, é o maior investimento já feito no Uruguai. Mas os moradores da cidade argentina de Gualeguaychú completaram, na semana passada, um ano de protestos com o argumento de que a fábrica poluirá a região e colocará suas economias e suas vidas em risco.
Diante do impasse entre os governos de Vázquez e do presidente argentino Néstor Kirchner, o caso passou a ser analisado, por apelo argentino, no Tribunal Internacional de Haia, na Holanda. Mas ainda não existe data certa para o parecer final do caso.
A disputa entre os vizinhos – batizada de “guerra de papel” ou “guerra das ‘papeleiras’” – também está sendo intermediada, sem muitos avanços, pelo rei da Espanha, Juan Carlos.
A decisão de Vázquez de impedir o acesso por terra ao país levou o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, a convocar o embaixador do Uruguai, Francisco Bustillo, para um reunião, na qual ele demonstrou a “preocupação” e “insatisfação” do governo argentino.
Mas ainda não há sinais de entendimento nesta disputa e a fábrica já está funcionando.