Rio de Janeiro, 18 de Setembro de 2026

Uruguai discute missão de paz no Haiti

Terça, 25 de Maio de 2004 às 00:47, por: CdB

Um intenso debate parlamentar está previsto para acontecer no Uruguai após o anúncio do governo de aportar 600 militares à força de Paz da ONU no Haiti e as manifestações de alguns legisladores que classificaram a participação de 'intervencionista'.

O ministro da Defesa, Yamandú Fau, ao informar do envio do projeto de lei ao Parlamento para que seja autorizada a saída do contingente militar, disse  que não se trata de uma operação 'intervencionista', como denunciam alguns setores da esquerda política.

- Intervenção é aquilo que significa participar de um Estado de forma arbitrária, compulsiva, pela força e isso não é o que está ocorrendo porque, reitero, a missão é de acordo com a Carta da ONU e disposta pelo órgão -  enfatizou.

O senador e ex-guerrilheiro tupamaro Eleuterio Fernández Huidrobro, da coalizão de esquerda Frente Ampla, afirmou na Comissão de Defesa do Parlamento que o envio do contingente uruguaio ao Haiti 'é um absurdo e um escândalo, porque nesse país houve um golpe de Estado'.

- No Haiti seqüestraram o presidente, o levaram e tentaram colocá-lo em asilo na África - disse Fernández Huidobro.

- Todos os países africanos são contra, não reconhecem a atual administração haitiana e os caribenhos também são contra e equivalem a 53 votos na ONU contra 14 do outro lado - acrescentou.

O legislador esquerdista assinalou que não compreendia o motivo pelo qual os governos de Argentina, Chile e Brasil enviarão suas tropas ao Haiti.

O senador Carlos Garat, do Partido Nacional (Blanco) um dos dois tradicionais do Uruguai, que integra a Comissão de Defesa, onde será feita a discussão prévia do projeto de lei, também sustentou que tem 'grandes dúvidas em apoiar essa missão'.

- O Haiti tinha um regime democrático e houve um golpe de Estado lá por isso não se trataria de uma missão de paz, mas de uma clara intervenção em um país americano - disse.

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