Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Urina ajudaria a detectar pré-eclampsia

Quarta, 05 de Janeiro de 2005 às 15:16, por: CdB

Baixos níveis de uma proteína-chave podem ajudar os médicos a identificar as mulheres que têm risco de pré-eclampsia durante a gestação, segundo uma pesquisa realizada pelo centro médico americano Beth Israel Deaconess.

Cientistas descobriram que a pré-eclampsia é associada ao baixo nível de uma proteína presente na urina, que é também ligada ao crescimento do vaso sangüíneo.

A pré-eclampsia, que normalmente aparece após a 20ª semana de gestação, faz com que a pressão sangüínea tenha um grande aumento, colocando a mãe e o bebê em risco.

Cerca de 5% de todas as mulheres grávidas desenvolvem a pré-eclampsia. No mundo todo, a doença é uma das principais causas de mortalidade materna e infantil.

A pesquisa foi publicada na revista especializada da Associação Médica Americana.

Monitoramento

A única maneira de identificar que uma mulher sofre de pré-eclampsia hoje em dia é monitorar sua pressão sangüínea com freqüência e testar níveis anormais de proteína na urina durante os três últimos meses de gravidez.

No entanto, depois que o aumento da pressão sangüínea é detectado, pode ser tarde demais para impedir que a doença se desenvolva.

Em uma gravidez normal, a placenta, órgão que vai nutrir a criança durante os nove meses de gravidez, estabelece uma ligação sangüínea para possibilitar as trocas gasosas e de nutrientes.
No entanto, na pré-eclampsia, a placenta não cresce como deveria no segundo trimestre de gravidez e a irrigação sangüínea não é satisfatória.

Os pesquisadores acreditam que esse fato se deva à relação complexa entre três proteínas que controlam esse processo.

E agora eles descobriram que é possível detectar níveis abaixo do normal de uma dessas proteínas, responsável pelo crescimento da placenta, através da urina de uma mulher grávida.

- Conseguir esse diagnóstico mais cedo pode ajudar mulheres com pré-eclampsia a evitar complicações na gravidez - diz o cientista Ananth Karumanchi.

- Um simples teste de urina pode ajudar a prever a doença com um ou dois meses de antecedência.

Para Gordon Smith, especialista em obstetrícia da Universidade de Cambridge, o estudo é "interessante e significativo".

Mas, segundo ele, ainda é necessário saber como tratar as mulheres com essa doença depois do diagnóstico.

-Testes como esse da urina podem ser úteis em ajudar a identificar mulheres que precisam monitorar com freqüência a pressão sangüínea, mas o principal desafio é determinar como melhorar o tratamento das mulheres que correm risco - diz Smith.

Tags:
Edições digital e impressa