Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Uribe pede apoio de Chávez e Lula em negociação com guerrilha

Terça, 29 de Março de 2005 às 16:47, por: CdB

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, pediu na terça-feira que seus colegas do Brasil e da Venezuela apóiem as negociações de paz com a segunda maior guerrilha colombiana, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Durante uma reunião em Ciudad Guayana, no sudoeste da Venezuela, com o anfitrião Hugo Chávez, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, Uribe reiterou que sua maior condição para negociar a paz é o fim completo das hostilidades.

"Se alguma ajuda peço aos senhores é que façam saber ao ELN que é razoável que, enquanto estivermos nessas negociações, a paralisação das atividades militares seja geral", disse Uribe sobre as negociações, na qual o México é intermediário.

Na segunda-feira, o alto comissário colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo, disse que o governo quer continuar a "fase exploratória" das conversações. Em um comunicado separado, também na segunda-feira, o ELN disse que trabalha com a "possibilidade" de um diálogo, e pediu a colaboração do Brasil, da Espanha e da Venezuela.

Uribe exige que o ELN pare não só de atacar militares e infra-estrutura, mas também que deixe de cometer sequestros. "Não acho que nasça bem um processo de paz se, enquanto estamos nas etapas iniciais, eles continuam sequestrando", afirmou.

Bogotá também mantém complexas negociações de paz com os esquadrões paramilitares de ultradireita, que combatem as guerrilhas em meio a uma guerra civil de mais de quatro décadas, que mata milhares de pessoas por ano.

Mas não existe diálogo com a principal guerrilha marxista do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Tanto as Farc quanto o ELN são acusados pelo governo de serem "terroristas" financiadas pelo narcotráfico.

Sem saber que suas declarações eram transmitidas ao vivo pela TV venezuelana, Uribe disse: "Isso eu digo aqui em privado: liguei ontem na prisão para um líder do ELN, e falei um pouco com ele."

Depois, acrescentou: "Isso não vou dizer em público, só quando conhecemos ontem essas declarações do ELN dissemos que continuávamos as negociações."

Nesse momento, Chávez, aflito, lhe interrompeu e disse: "Presidente, perdoe que lhe interrompa, para que o senhor saiba que estamos transmitindo, permita-me alertá-lo; perdão Álvaro."

Posteriormente, Chávez se comprometeu com Uribe a extraditar para a Colômbia um guerrilheiro colombiano acusado de ter participado, em 2004, do sequestro da mãe de um jogador venezuelano de beisebol.

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