Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Uribe e a conversão de Clóvis Rossi

Por Altamiro Borges - Já faz algum tempo que o jornalista Clóvis Rossi, integrante do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, tem surpreendido leitores mais atentos pela postura adotada em episódios marcantes da política nacional e mundial. (Leia Mais)

Quarta, 19 de Março de 2008 às 10:41, por: CdB

Já faz algum tempo que o jornalista Clóvis Rossi, integrante do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, tem surpreendido leitores mais atentos pela postura adotada em episódios marcantes da política nacional e mundial. Ninguém entende a sua conversão – de intelectual que contribuiu na luta pela redemocratização do país e na crítica à Davos e à globalização neoliberal para as atuais posições mais à direita, paparicadas por tucanos, demos e congêneres.

Esta mutação atingiu o seu auge na recente invasão do Equador. O colunista, tão admirado no passado, abandonou qualquer neutralidade para se somar ao coro reacionário da mídia na absolvição do facínora Álvaro Uribe.

Linguajar rancoroso

Num linguajar rancoroso, típico de pitbuls como Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, ele exigiu do governo Lula uma postura mais dura contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). “Convém ter claro que o Brasil pode – e deve – ser neutro entre os dois vizinhos, mas não pode nem deve ser neutro entre o governo colombiano (legítimo) e as Farc (grupo delinqüente)... As Farc há muito abandonaram qualquer veleidade de ação política pela via armada para se tornarem delinqüentes que vivem do narcotráfico e do dinheiro arrecadado com seqüestro”.

Adotando a tática diversionista de Uribe e Bush, ainda aproveitou para atacar o “intempestivo” Chávez e para criticar o governo de Rafael Correa. “A Colômbia invadir território equatoriano é condenável. Mas vale, até para o Brasil, o que diz Carlos Malamud: ''Se os governos fronteiriços da Colômbia fizessem o seu trabalho, protegessem suas fronteiras e impedissem que bandos de delinqüentes passeassem livremente por seus territórios, ações como da Colômbia não seriam necessárias”. É uma justificativa para a “guerra preventiva” de Bush e Uribe contra o Brasil? Se o próprio governo colombiano não consegue descobrir e derrotar as Farc, que controlam 40% do território, porque o presidente Correa teria todas as condições para “proteger as suas fronteiras?”.

Um falcão da guerra

Clóvis Rossi, que já foi mais independente no oficio do jornalismo, simplesmente não tocou no fato principal: Álvaro Uribe invadiu uma nação soberana e atentou contra o direito internacional, numa ação rechaçada pelos países latino-americanos na Cúpula do Grupo do Rio. Preferiu atacar as Farc, Chávez, Rafael Correa e Lula (alvo de sua obsessão atual). Quanto às Farc, Rossi ficou à direita do direitista Nicolas Sarkozy. Segundo a agência de notícias francesa, “o número dois das Farc, Raúl Reyes, tentava acertar uma reunião com o presidente francês no momento em que foi morto por tropas colombianas”. O “intercâmbio humanitário” visava libertar Ingrid Betancourt.

Rossi nem sequer ouviu os apelos de familiares de Ingrid Betancourt, ex-candidata à presidência do país que está no cativeiro das Farc há seis anos. Lorenzo Delloye, seu filho, acusou Uribe de “brincar com as vidas dos seqüestrados e com a honra da Colômbia”. Já o seu ex-marido, Fabrice Delloye, admitiu que as Farc “mostram uma visão humanitária” ao soltarem seis seqüestrados e pediu mais diplomacia para libertar os reféns. Postura bem mais equilibrada do que a do falcão Clóvis Rossi, que rejeita qualquer negociação com “delinqüentes”, esquecendo-se que o próprio governo dos EUA já se reuniu com guerrilheiros das Farc, inclusive com Raul Reyes, em 1998.

Advogado de narcotraficantes

Além de rejeitar a via da negociação, da saída política para uma guerra que se arrasta há 44 anos, Rossi também inocentou Uribe. Ele acusa a guerrilha de narcotraficante, mas nada fala sobre os notórios vínculos do atual presidente com as máfias da cocaína e com paramilitares. Como leitor contumaz, ele deveria ler o livro da ex-amante de Pablo Escobar, a ex-apresentadora de televisão Virgínia Vallejo. A obra “Amando Pablo, odiando Escobar” descreve as ligações de Uribe c

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