Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

Uribe atrapalhou a libertação de Betancourt

O ataque colombiano a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na madrugada de sábado, custou muito mais do que a vida do comandante Raúl Rayes, o segundo homem na escala de comando dos guerrilheiros e porta-voz da organização armada. Foi um tiro mortal nas negociações mantidas pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, para a libertação dos reféns políticos, em poder da guerrilha colombiana. Em entrevista, na terça-feira, Correa disse que seu governo estava próximo de um acordo para a libertação de 12 reféns, incluindo a ex-candidata presidencial colombiana franco-colombiana Ingrid Betancourt. (Leia Mais)

Terça, 04 de Março de 2008 às 07:10, por: CdB

O ataque colombiano a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na madrugada de sábado, custou muito mais do que a vida do comandante Raúl Rayes, o segundo homem na escala de comando dos guerrilheiros e porta-voz da organização armada. Foi um tiro mortal nas negociações mantidas pelo presidente equatoriano, Rafael Correa, para a libertação dos reféns políticos, em poder da guerrilha colombiana. Em entrevista, na terça-feira, Correa disse que seu governo estava próximo de um acordo para a libertação de 12 reféns, incluindo a ex-candidata presidencial colombiana franco-colombiana Ingrid Betancourt.

Correa respondeu às acusações feitas pelo governo colombiano de que seu governo mantinha relações com os rebeldes, em meio a uma disputa diplomática em torno da incursão colombiana em território equatoriano. Segundo o líder equatoriano, Bogotá sabia das tentativas de se conseguir um acordo para a libertação de reféns pelas Farc. Na réplica ao pronunciamento de Correa, o governo colombiano, no entanto, negou ter recebido qualquer informação, por canais diplomáticos com o país vizinho, sobre contatos com as Farc e acrescentou que Correa garantiu ao governo do conservador Alvaro Uribe que não faria nenhuma gestão junto aos guerrilheiros, sem o prévio conhecimento e autorização colombianos.

Na mesma nota, Bogotá negou as declarações do ministro da Segurança do Equador, Gustavo Larrea, que admitiu ter se reunido com Reyes, com o conhecimento explícito do governo da Colômbia.

"Surpreendem as declarações do ministro Gustavo Larrea quando afirma que os contatos que mantinha com as Farc eram conhecidos pelo governo colombiano. Isto não é certo. Pelo contrário, o presidente Rafael Correa sempre assegurou ao presidente Alvaro Uribe que não adiantaria nenhuma gestão com as Farc sem o conhecimento e a autorização do governo da Colômbia", disse um comunicado da Presidência da Colômbia.

Bomba suja

Na manhã desta terça-feira, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, disse que as Farc pretendiam obter material radioativo para fazer uma "bomba suja" (artefato explosivo aditivado com urânio radioativo). A afirmação de Santos ocorreu durante a Conferência de Desarmamento da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, com base nos arquivos que elementos do exército colombiano dizem ter encontrado nos computadores de Reyes.

Segundo a autoridade colombiana, os dados mostram que o grupo estava em negociação para adquirir material radioativo com a intenção de construir uma bomba, com o apoio da Venezuela, de onde - segundo Santos - teriam saído cerca de US$ 300 milhões em ajuda aos guerrilheiros colombianos.

Em Nova York, durante reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para discutir o aumento da tensão entre a Colômbia e o Equador, que também envolve a Venezuela, representantes de países da região defenderam uma saída negociada para diminuir a tensão e afastar a possibilidade de um conflito armado na região.

- Nós queremos a paz no continente, não temos posição doutrinária em relação a nenhum país - disse, durante coletiva em Brasília, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

O ministro reconheceu que a crise é "grave" e disse que o pedido de desculpas da Colômbia ao Equador não foi "muito explícito" e deveria ser refeito. Amorim confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o colombiano Álvaro Uribe e o equatoriano Rafael Correa em busca de uma possível "convergência" que possa ajudar a minimizar a tensão.

Argentina e Chile

O chanceler da Argentina, Jorge Taiana, divulgou nota em que diz que o governo do país rejeita "qualquer forma de violação da soberania regional". De acordo com o comunicado, Taiana conversou com sua colega equatoriana, María Isabel Salvador, antes de divulgar o texto, e antecipou a posição do governo argentino na reunião extraor

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