Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Beltrame: UPPs não impedem armas em favelas

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse nesta quarta-feira que não é possível garantir que as UPPs sejam capazes de impedir a presença de bandidos armados nas favelas pacificadas. Segundo ele, o objetivo da UPP é a pacificação, mas que seria leviano garantir a retirada dessas favelas todas as armas, drogas, criminosos e munição.

Quarta, 29 de Junho de 2011 às 07:38, por: CdB
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O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse nesta quarta-feira que não é possível garantir que as unidades de Polícia Pacificadora (UPP) sejam capazes de impedir a presença de bandidos armados nas favelas pacificadas. A afirmação foi feita depois de o comandante das UPPs, coronel Robson Rodrigues, ter informado que ainda há “pontos críticos com criminosos armados” nas favelas que já passaram pelo processo de pacificação. – A ideia e o objetivo da UPP é a pacificação, mas seria leviano garantir que vamos retirar dessas favelas todas as armas, todas as drogas, todos os criminosos, toda a munição. O que eu digo é que temos sempre que analisar como elas estavam há três, quatro, cinco, dez anos, e como elas estão hoje. Existem problemas? Existem, sim. Mas como isso estava? Está melhor? Está pior? –, indagou Beltrame. As UPPs, criadas em 2008, são a principal política de segurança do Rio de Janeiro. O objetivo do projeto é ocupar comunidades carentes fluminenses com polícia comunitária para acabar, justamente, com o controle de quadrilhas armadas nesses territórios. Mas, nos últimos dias, dois episódios mostraram que criminosos armados continuam exercendo controle sobre favelas pacificadas. No último sábado, três criminosos jogaram uma granada e atiraram contra policiais da UPP do Morro da Coroa, na região central do Rio. A favela está ocupada pela UPP desde fevereiro deste ano. Dois dias depois, dois mototaxistas foram executados a tiros em um dos acessos ao Morro do Andaraí, na zona norte – favela que tem UPP há quase um ano. A polícia acredita que a morte tenha ocorrido porque as vítimas teriam se recusado a pagar uma taxa mensal de “pedágio” à quadrilha que controla a venda de drogas na comunidade. Segundo o secretário, na medida em que forem identificados criminosos, armas e munições nessas áreas, a polícia vai agir. – Não vão ser esses episódios que vão nos desviar dos nossos objetivos. Quando o helicóptero caiu no Morro dos Macacos, a resposta veio um ano depois com a pacificação de 16 mil pessoas. Não podemos garantir que essas ações esporádicas dos bandidos não vão acontecer. Problemas, nós vamos ter –, disse Beltrame. Em dois anos e meio, foram instaladas UPPs em 17 áreas da capital fluminense, que englobam cerca de 50 favelas. A maioria das UPP foi implantada em comunidades da zona sul, Tijuca e centro da cidade.
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