As instituições de ensino superior do país precisam começar a lidar mais com a “pré-universidade”, defendeu o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Carlos Alberto Aragão.
Na avaliação dele, “os problemas da universidade começam no ensino fundamental”, que não consegue ensinar bem às crianças as duas linguagens mais importantes para o desenvolvimento científico: matemática e português.
– Nós precisamos de professores bem formados, qualificados e cujos salários sejam dignos. A universidade tem o papel de contribuir para formar bons professores –, defendeu.
Aragão também criticou o fato de o estudante precisar escolher precocemente, ao final do ensino médio, a carreira que pretende seguir. Ele propôs que os cursos de graduação ofereçam, nos dois primeiros anos, uma formação mais básica para que após esse período o estudante possa escolher que área pretende seguir.
– Assim ele fará uma escolha madura que terá depois de dois anos na universidade –, disse na Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Os especialistas criticaram a “compartimentalização” das instituições em departamentos fechados que não interagem na produção de conhecimento.
– É uma coisa altamente prejudicial que vai na contramão da história. A tendência moderna é a multidisciplinaridade e a organização em torno de temas. É pensar muito mais o problema em vez do rótulo –, afirmou Aragão.
O professor Luiz Bevilacqua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defendeu que a universidade precisa de mais “coragem, criatividade e ousadia” para romper com os modelos antigos, sem necessidade de copiar “o resto do mundo”.
– A academia tem que ser muito mais integrada. Não pode haver a separação de aluno de graduação, aluno do doutorado, professores, técnicos administrativos. As coisas têm que funcionar mais em conjunto –, disse.