Universidade Rural apura trote que levou aluno ao CTI de hospital
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) determinou nesta sexta-feira a abertura de sindicância para apurar suposto trote que calouro do curso de medicina
Segundo o pai do universitário, o jovem apareceu em casa apresentando febre, dor de garganta
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro:
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) determinou nesta sexta-feira a abertura de sindicância para apurar suposto trote que calouro do curso de medicina teria sofrido e que o levou a ser internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da Santa Casa de Misericórdia.
O trote teria ocorrido esta semana, no terceiro dia de aula, e vitimado Leonardo Martins Carneiro de Assis, de 18 anos. Segundo o próprio pai do estudante, o vigilante Marcelo de Assis, 43 anos, Leonardo teria sido obrigado a fazer exercícios físicos à exaustão, o que acabou gerando a internação.
A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) determinou nesta sexta-feira a abertura de sindicância para apurar suposto trote
Inicialmente, o caso chegou ao conhecimento da reitoria da Universidade Rural na quinta-feira, quando um dos secretários executivos do gabinete do reitor foi abordado por um senhor que se identificou como pai de aluno.
Ele disse ao secretário que gostaria de comunicar o trote sofrido por seu filho. Segundo nota divulgada pela UFRRJ, o vigilante informou que o filho havia sido internado no CTI de um hospital da cidade, apresentando problemas de saúdea, em consequência de um trote sofrido nas dependências da instituição.
Mesmo incentivado pelo secretário, o vigilante se recusou a notificar a Divisão de Guarda e Vigilância da universidade (DGV/UFRRJ), setor responsável pelos registros de ocorrências no campus, para que fosse formalizado o processo de sindicância para a devida apuração dos fatos. Ele não fez por temer represálias contra o adolescente.
Diante da negativa, o secretário o orientou a fazer uma reclamação formal na Ouvidoria da Universidade e mais uma vez houve negativa, novamente alegando o temor de represálias. Na nota divulgada, a diretoria da universidade acrescentou que decidiu pela abertura da sindicância “ao tomar conhecimento do fato com mais detalhes através da imprensa, uma vez que a instituição zela pelo bem-estar dos membros de sua comunidade universitária”.
Segundo o pai do universitário, o jovem apareceu em casa apresentando febre, dor de garganta e posteriormente teria começado a urinar sangue, o que o levou a internar o filho. Na nota sobre a abertura de sindicância para apurar o ocorrido, a UFRRJ se disse contra a realização de trotes.
Vice-reitor da UFRRJ, o professor Eduardo Mendes Callado afirmou que a instituição é terminantemente contra o trote. "Entendemos que os veteranos queiram receber os calouros e que isto faz parte da rotina de uma universidade. No entanto, não aceitamos práticas que envolvam violência ou humilhação. É possível uma recepção calorosa e divertida dentro de limites aceitáveis por todos os envolvidos."
O caso foi registrado nesta sexta-feira, na delegacia de Seropédica (48ª DP), onde o delegado Julio da Silva Filho aguarda o jovem melhorar para prestar depoimento e fazer o exame de corpo de delito. Segundo o delegado, os autores do trote podem responder por lesão corporal de natureza grave e a pena varia de um a cinco anos de prisão.
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