Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Universidade obriga aluno cego a falar em inglês com cão guia

Quarta, 07 de Julho de 2004 às 18:02, por: CdB

Yvan Tessier, um homem cego de Québec que faz um curso intensivo de inglês na Universidade de Nova Brunswick, foi proibido pela instituição de falar em francês com seu cão guia se quisesse continuar estudando.

Segundo Tessier, o problema é que seu cachorro, "Pavot", só entende ordens em francês. O estudante está avaliando se irá processar a universidade por discriminação.

Tessier, de 39 anos, perdeu a visão quando tinha 19 devido a conseqüências de uma doença degenerativa. Agora ele teme que as ordens em inglês confundam o cão, o que colocaria sua vida e a do seu guia em risco.

"'Pavot' são meus olhos, minha autonomia e minha independência. Representa tudo para mim. Sabia que teria que falar em inglês, mas pensei que poderia falar em francês pelo menos com meu cachorro", declarou Tessier a meios de comunicação canadenses.

Mas as explicações de Tessier não convenceram os responsáveis pela universidade, que consideram que as estritas normas que proíbem os estudantes do curso intensivo a falar qualquer outra língua que não o inglês são essenciais para o sucesso de seu programa, que existe há 52 anos.

A Universidade de New Brunswick, única província que é oficialmente bilíngüe no Canadá, também impede que alguns estudantes telefonem para suas famílias durante as cinco semanas que dura o curso, evitando assim que usem suas línguas maternas.

Mas Tessier acredita que a decisão da universidade de obrigar que ele assinasse um documento se comprometendo a falar em inglês com seu cão guia é uma tentativa de se livrar da inconveniência de ter um estudante que requer certas distinções por sua cegueira.

"É discriminação, pura e simples", afirmou Tessier, que recebeu a proposta da Universidade de New Brunswick para se inscriver em outro curso na Universidade de Dalhousie, na mesma província, "para se adaptar" melhor a suas necessidades.

A universidade nega que esteja discriminado Tessier e explica que no passado teve outros estudantes cegos que se comprometeram a falar em inglês com o cão guia.

Mas a instituição não informou se já enfrentou algum processo dos estudantes proibidos de telefonar para casa acusando a universidade de crueldade.

Tags:
Edições digital e impressa