A cada novo semestre letivo os estudantes de algumas faculdades realizam trote para marcar o início das aulas. Na Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, esta atividade está proibida dentro e fora do campus, pois uma resolução da instituição prevê punição para quem aplica o trote e para quem recebe e não denuncia.
A alegria dos estudantes desaparece quando eles falam sobre os trotes que levaram.
– Quando eu tive o trote, uma pessoa que estava na minha turma tinha alergia à tinta e teve que ir para o hospital até, disse a estudante Cibele Teixeira.
– Eles deixaram uma piscina totalmente suja, dois meses sem limpar e fizeram a gente nadar na piscina, acusa o estudante Guilherme Fonseca.
Recepções como essa entre os calouros agora estão proibidas. A Universidade de Lavras foi radical: baixou uma resolução impondo regras rígidas contra os trote, que prevê penalidades para quem aplica o trote, para quem recebe e não denuncia e também aos funcionários que testemunharem o trote e se omitirem.
Cópias da resolução foram distribuídas aos calouros e aos veteranos. No papel também está o número do Disque Trote e as denúncias também podem ser encaminhadas por escrito, já que a resolução não proíbe apenas o trote dentro do campus da Ufla, mas também fora dele.
– Uma vez recebendo a denúncia pelo Disque Trote ou até pessoalmente, a gente entrará em contato com a Polícia Militar para fazer um boletim de ocorrência. Uma vez com o documento formal, será aberto o processo administrativo, disse o pró-reitor da universidade, João Rezende.
A Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais não concorda com a proibição do trote fora da universidade.
– Numa república eu creio que a universidade não pode proibir porque a república geralmente tem um líder e se houver excesso ali dentro, as responsabilidades serão apuradas e a universidade não tem nada a ver com isso. Eu acho que ali ela está violando o direito da pessoa, avaliou a advogada Luiza Ferreira da Silva.
Segundo o Ministério da Educação e o Ministério Público, a universidade tem autonomia para proibir o trote, tanto dentro quanto fora do campus. A resolução prevê punições que variam de suspensão até a expulsão do aluno que participar deste tipo de atividade.
Universidade em Minas proibe trote até fora do campus
Terça, 04 de Março de 2008 às 06:44, por: CdB