Para pedagogo, o ensino superior deve atender os interesses dos trabalhadores
19/08/2011
Carlos Tautz
do Rio de Janeiro (RJ)
“Devemos fazer com que o ensino superior e atenda aos interesses dos trabalhadores, ao mesmo tempo em que lutamos por democracia na própria sociedade. Não dá para pensar educação dissociada do projeto de país. A universidade é um espaço de disputa e os trabalhadores devem assumir para si a luta para que a universidade seja democrática e atenda a seus interesses, ao mesmo tempo em que devemos fazer a luta geral por democracia na própria sociedade em seu todo”.
Foi com essa argumentação principal que o pedagogo Erivan Hilário, coordenador da graduação e da pós-graduação da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), fez sua exposição, na manhã de quarta-feira (17), durante o VIII Congresso do Sindicato dos Trabalhadores em Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Sintuperj). O congresso, que se encerrou na quinta-feira (18), teve como tema “Que Universidade queremos? Trabalhadores na luta por democracia, autonomia e financiamento público”.
A exposição de Erivan também se concentrou sobre os impactos da entrada coletiva de trabalhadores na universidade pública. “Os trabalhadores, assim, ajudam a resgatar o papel democrático da universidade, que é a produção de conhecimento, mas ainda temos de lutar para que este conhecimento atenda aos interesses dos trabalhadores, que fazem este país”.
Antes de Erivan, falaram a economista Sandra Quintela, do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs) e o historiador Gilberto Maringoni. Sandra abordou o pedido da dívida pública interna e externa do Brasil, que anualmente consome mais da metade do orçamento da União. Maringoni abordou as conjunturas nacional e internacional, observando que as revoltas populares que se iniciaram nos países árabes se estendem agora para os países periféricos da Europa, Chile e até Israel. “Mas, com muito menos cobertura da imprensa”, observou.
Na sua exposição, Erivan lembrou que a educação, para o MST, um dos movimentos que mantêm a ENFF, remonta ao ano de criação do Movimento, em 1984, quando os sem terra já demandavam educação pública devido a uma necessidade objetiva. “Aos poucos, viemos conquistando a escolarização. Mas, quando entramos de forma coletiva na universidade, demandando conhecimento em veterinária e agronomia, por exemplo, os latifundiários reagiram”. Esse foi o caso, segundo Erivan, do recurso à Justiça, feito por latifundiários sergipanos, quando a Universidade Federal de Sergipe criou um curso de agronomia voltado para os pequenos agricultores. “Eles perderam na Justiça”, recorda, observando que algo semelhante se deu com o curso de Direito na Universidade Federal de Goiás. “Não tenho a ilusão de que apenas a universidade fará a revolução social, mas ela é, sem dúvida, um espaço importante de disputa de projetos, para o qual os trabalhadores devem estar atentos”, completou.
Foto: Samuel Tosta/Sintuperj