Unicamp pede reintegração de posse do prédio da reitoria ocupado por estudantes
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou que vai pedir na Justiça a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por estudantes que passaram a madrugada no local.
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou que vai pedir na Justiça a reintegração de posse do prédio da reitoria
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) informou que vai pedir na Justiça a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por estudantes que passaram a madrugada no local. Os estudantes estão no local desde quinta-feira e reivindicam a retirada da PM do campus.
Após a morte de um estudante, assassinado a facadas no mês passado, durante uma festa na universidade, a PM foi autorizada pelo reitor a fazer o patrulhamento.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) critica a medida. “A entrada da PM fere a autonomia das universidades, coloca em xeque o espaço de diálogo e vivência no campus e não necessariamente significa mais segurança para a comunidade acadêmica”, diz a nota do diretório.
Depois de uma assembleia geral que ocorreu na quinta-feira, aproximadamente 70 alunos, alguns com rostos cobertos, decidiram ocupar a reitoria. Eles cobriram vidros do prédio e picharam a frase “contra a presença da PM” nos muros.
Protestos
Durante a ocupação, os estudantes também picharam "Fora PM" e frases em apoio à invasão da reitoria da USP nas paredes. Eles usam camisetas nos rostos para não serem identificados pelas câmeras de segurança. Dois carros da Polícia Militar chegaram a passar pelo local, mas saíram na sequência. Policiais civis foram até a ocupação para analisarem detalhes para a elaboração de um boletim de ocorrência. O documento é necessário para o pedido de reintegração de posse, que deve ser feito amanhã.
A ocupação é uma reação à decisão da universidade de autorizar a entrada da PM (Polícia Militar) em seus quatro campi (Campinas, Limeira, Piracicaba e Paulínia), após a morte do estudante Denis Papa Casagrande, 21, do curso de engenharia de controle e automatação.
Atualmente, a segurança da Unicamp é feita por uma empresa terceirizada, e cerca de 260 vigilantes fazem a proteção apenas no campus principal, em Campinas. Em 21 de setembro, quando Denis foi assassinado com uma facada durante uma festa dentro do campus, cinco vigilantes faziam a ronda na universidade. Segundo a reitoria da Unicamp, a festa não tinha autorização para ser realizada. Cerca de 3.000 pessoas compareceram ao evento, e posteriormente a direção da universidade revelou que tinha conhecimento prévio do evento --mas não tomou medidas para coibi-lo.
Assembleias
A invasão da reitoria foi definida em assembleia que reuniu cerca de 600 pessoas no começo da noite de hoje. A reunião também aprovou, por unanimidade, a rejeição à proposta da atuação da PM na segurança da universidade e apoio à invasão da reitoria por estudantes da USP.
Em assembleia realizada dentro da reitoria, após a ocupação, os estudantes decidiram que não seriam feitas mais pichações nas paredes do prédio nem seria permitido o consumo de álcool e drogas no local. Foram formadas comissões para organizar a ocupação do prédio.
Na Universidade de São Paulo (USP), estudantes que também estão em greve, ocuparam a reitoria da universidade na capital paulista. Eles pedem que a eleição para reitor seja direta e o fim da lista tríplice enviada ao governador do Estado, que hoje escolhe um entre os três mais votados pelos colégios eleitorais – formados, principalmente, por professores titulares.
O sindicato dos funcionários (Sintusp) adiou para a próxima quinta-feira a decisão se vai aderir a paralisação. Em nota, a entidade manifestou "total apoio à ocupação da reitoria e à greve dos estudantes". Para Magno de Carvalho, diretor do sindicato, "há um clima de greve entre os funcionários".
Já a sindicato dos professores (Adusp), que também pede eleições diretas, não se manifestou sobre a ocupação. O grupo fará uma assembleia na semana que vem.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.