Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

União Européia resolve aceitar o governo do Hamas

Os chanceleres da União Européia (UE) entraram em acordo, nesta sexta-feira, para apoiar o governo de unidade nacional palestino, que está sendo formado pelo presidente Mahmoud Abbas em conjunto com o movimento Hamas. (Leia Mais)

Sexta, 15 de Setembro de 2006 às 11:01, por: CdB

Os chanceleres da União Européia (UE) entraram em acordo, nesta sexta-feira, para apoiar o governo de unidade nacional palestino, que está sendo formado pelo presidente Mahmoud Abbas em conjunto com o movimento Hamas.

- É uma virada muito importante para a situação. (O chefe de política externa da UE) Javier Solana nos disse que na plataforma estará o reconhecimento pelo novo governo do tratado assinado pela Autoridade Palestina no passado. Isso significa reconhecer Israel como parceiro - disse o ministro italiano Massimo D'Alema a jornalistas.

A UE e os Estados Unidos vinham boicotando o governo liderado pelo Hamas, formado em março após as eleições, porque a organização se recusava a reconhecer a existência de Israel, a renunciar à violência e a aceitar os acordos de paz já existentes. Os EUA disseram na quinta-feira que não viam nenhuma base, até então, para que o embargo fosse suspenso. Muitos países europeus, porém, estão ansiosos para o fim do impasse, que ajudou a agravar a pobreza e a situação de caos nos territórios palestinos.

- Temos agora um novo governo palestino. Temos uma nova situação, e devemos usá-la para retomar o processo de paz - disse o ministro finlandês, Erkki Tuomioja, que presidiu a reunião entre os 25 ministros da UE.

D'Alema não esclareceu se a UE vai retomar os contatos e a assistência financeira quando o novo governo palestino estiver instalado.

- Estamos felizes com o governo de unidade nacional. Estamos agora tentando ajudá-lo, inclusive financeiramente - disse o ministro esloveno, Dimitrij Rupel.

Mas, segundo o ministro inglês para a Europa, Goeff Hoon, "ainda não chegamos a essa posição. Ainda há esclarecimentos a ser feito, como determinar qual é o acordo subjacente envolvendo o Hamas". Para a comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, o bloco precisa demonstrar flexibilidade, desde que a nova plataforma de governo reflita as exigências do Quarteto, a UE, os EUA, a Rússia e a ONU.

- É claro que queremos ser firmes quanto aos princípios, mas também temos de ser flexíveis sobre o formato que o governo escolher - disse ela, acrescentando que há alguns sinais animadores.

Ferrero-Waldner disse que, segundo as informações da UE, os ministérios do Interior, das Finanças e das Relações Exteriores não ficarão nas mãos do Hamas.

- Temos que encarar o processo com a mente aberta e acompanhá-lo, pois ele pode ir na direção certa - disse.

Ela afirmou, porém, que pode levar algum tempo para que a ajuda financeira seja retomada, mesmo que a plataforma de governo esteja em condições ideais. Alguns países, como Grã-Bretanha, Alemanha, Holanda e República Tcheca, todos próximos aos EUA, pediram cuidado na concessão do apoio. Enquanto isso, os ministros da UE aprovaram a extensão por mais três meses de um mecanismo temporário de ajuda criado este ano para manter a ajuda aos palestinos sem passar pelo Hamas.

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