Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

União Européia censura governo cubano e ameaça impor sanções

Terça, 08 de Abril de 2003 às 15:50, por: CdB

A Comissão Européia censurou o governo cubano pela condenação dos dois jornalistas dissidentes, acusados de colaborar com diplomatas dos EUA para minar o regime socialista, e convocou Cuba à "uma liberação imediata" dos acusados. A declaração foi feita por Michael Curtis, porta-voz do comissário europeu de desenvolvimento e cooperação, Poul Nielson. Uma outra fonte do alto escalão da Comissão Européia afirmou que a prisão dos dissidentes pode "não ajudar" Cuba no processo de entrada ao acordo de Cotonou, onde o país passaria a ter preferências comerciais com a Europa. O tribunal cubano condenou o poeta e jornalista Raúl Rivero a 20 anos de prisão e o jornalista Héctor Palacios a 25. Os dois fazem parte do grupo de 79 dissidentes detidos recentemente, acusados de conspiração contra o regime de Fidel Castro. "A UE já condenou a prisão dos dissidentes por parte das autoridades cubanas e também faz um chamamento pela liberação imediata", afirmou Curtis, acrescentando que, muito provavelmente, poderá haver uma outra declaração da UE sobre o assunto, "mas, em definitivo, há uma preocupação sobre o que está acontecendo, não há dúvida sobre isso". Bruxelas prepara, atualmente, um relatório técnico de avaliação para o possível ingresso de Cuba ao Acordo de Cotonou (Benin), um convênio de cooperação comercial da UE com 48 países da África, Pacífico e Caribe, dando-lhes, entre outros benefícios, acesso ao mercado europeu com tarifa zero sobre os seus produtos agrícolas. As conclusões da Comissão serão apresentadas aos países membros no próximo mês de junho e assim, será tomada a decisão. Uma alta fonte comunitária comentou que "o que está passando em Cuba, atualmente, não vai ajudar para que os Estados membros favoreçam" a entrada de Cuba ao acordo de Cotonou, podendo, inclusive, continua a mesma fonte, "desanimar alguns Estados membros favoráveis ao acesso de Cuba". Reino Unido e Holanda são os países da UE "pouco simpatizantes" à entrada de Cuba no grupo de Cotonou, sob alegação de que os direitos humanos não são respeitados no país.

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