O encontro foi na África, mas um dos temas mais debatidos não estava exatamente no continente. Na reunião entre o chanceler Celso Amorim e o presidente executivo da União Africana, Alpha Omar Konare, o Haiti tomou boa parte do tempo. Konare defendeu a garantia de espaço de diferentes grupos políticos no processo eleitoral do país, marcado para o final deste ano.
- Se a transição não for bem conduzida, essa instabilidade nunca vai acabar. Não podemos deixar o Haiti sozinho - defendeu Konare.
- Não podemos concordar com impunidades e abuso dos direitos humanos.
O ex-presidente do Mali pretende, em parceria com o Brasil, fundar uma casa de cultura africana em Porto Príncipe, capital do Haiti. A intenção é que o local sirva para restabelecer a relação dos haitianos com o continente de origem de seus mais próximos antepassados.
O chanceler Celso Amorim diz que a oferta de apoio africana é bem-vinda. Entre as possíveis contribuições está a intermediação com os haitianos que, como muitos africanos, falam francês.
- Será muito interessante a ajuda de alguém que entende a maneira de ser dos haitianos e o fato de compartilharem as mesma língua também pode ser muito útil - acredita o chanceler.
- A União Africana compartilha conosco a visão de que, independente do que aconteceu, inclusive as circunstâncias da saída de (ex-presidente Jean Bertrand) Aristide, o momento é de seguir em frente.
União Africana quer firmar parceria com o Brasil no Haiti
Terça, 08 de Março de 2005 às 15:05, por: CdB