Sede da agência em Paris recebe profissionais de todo o mundo para o Simpósio Internacional da Liberdade de Expressão.
Irina Bokova
Anelise Borges, da Rádio ONU em Paris.
A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, inaugurou, nesta quarta-feira, o Simpósio Internacional da Liberdade de Expressão, na sede da agência em Paris.
Cerca de 300 pessoas estavam presentes para o discurso de abertura que sublinhou a necessidade da liberdade de expressão, essencial para a liberdade da imprensa, e a importância de uma imprensa livre em democracias emergentes.
Segurança
O contexto atual da liberdade de imprensa no mundo, a liberdade de expressão na Internet e a proteção de jornalistas são os principais temas do simpósio, organizado em parceria com a Comissão Nacional Sueca para a Unesco.
Em entrevista exclusiva à Radio ONU, Irina Bokova, ressaltou o envolvimento da Unesco e a preocupação da agência com a segurança de jornalistas.
Segundo a diretora-geral, uma das tendências mais alarmantes é o assasinato de jornalistas e a impunidade relacionada a esses crimes. Ela ressaltou que a maioria desses jornalistas não trabalha em zonas de conflitos, mas sim cobrindo irregularidades e corrupção. Bokova espera que no próximo dia 3 de maio, Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, as agências da ONU tenham a oportunidade de ressaltar a importância do trabalho realizado para que os motivos para comemorar se multipliquem.
Contexto Atual
Entre os participantes do encontro estão representantes de governos, grupos de mídia e organizações não-governamentais. Jean-François Julliard, secretário-geral da associação "Repórteres sem Fronteiras" disse que contexto atual da liberdade de imprensa no mundo é preocupante.
Para Julliard, isso fica evidente ao analisarmos o número de jornalistas assassinados, presos, e o número de meios de comunicação censurados em todo o mundo. Segundo pesquisas, realizadas pelo "Repórteres sem Fronteiras", esses números estão em constante aumento, o que significa repetidas violações contra a liberdade de imprensa. Ele disse que, por outro lado, existem 'bons exemplos' em países onde novas tecnologias, principalmente a Internet, contribuem para que a imprensa amplie seu alcance. De qualquer maneira ainda há muito a ser feito, segundo os cálculos do "Repórteres sem Fronteiras", um terço da população continua não tendo acesso a uma imprensa livre.
Nesta quinta-feira a série de eventos continua com a Conferência de Ética Jornalística e auto-regulação na Europa: "novas mídias, velhos dilemas" - quando serão abordadas as questões relativas à mídia e os desafios impostos pelas novas tecnologias e pela Internet.