Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

Unctad começa neste fim de semana em São Paulo

Quinta, 10 de Junho de 2004 às 08:11, por: CdB

 No próximo domingo, dia 13, começa em São Paulo a XI Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). Representantes de países periféricos virão ao Brasil discutir formas de acelerar o crescimento econômico e melhorar a distribuição de renda por meio de acordos comerciais. Para dois pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Leda Paulani e Gilberto Dupas, o debate promovido pela Unctad é louvável, mas corre o risco de não resultar em ações concretas e gerar ainda mais frustração aos povos.

- Na economia global, cada país busca se defender como pode. Os parceiros comerciais são variáveis e ocasionais. Com isso, diferente do que acontece na União Européia, o desemprego no Brasil não preocupa países como o México - acredita Gilberto Dupas, coordenador-geral do Grupo de Análise da Conjuntural Internacional da USP e presidente do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais. - Os fundos de financiamento mútuo podem até ser boas soluções emergenciais, mas não resolvem os problemas estruturais dos países onde os atores econômicos dão as cartas.

Para Dupas e Leda Paulani, os países periféricos devem buscar uma troca de experiências e união mais efetiva em setores como o de controle de capitais. Segundo eles, nos últimos 15 anos, o Brasil passou por um processo de modernização e abertura da economia totalmente voltado para o comércio global.

- Ainda assim, vivemos uma década de estagnação - avalia Paulani, professora do Departamento de Economia da USP. - Essa tendência continuará forte se permanecermos nesse contexto de vulnerabilidade em relação ao capital externo.

Para a pesquisadora da USP, a Índia é um bom exemplo de país que estabeleceu regras para a entrada e saída de capitais, manteve uma taxa de câmbio competitiva e soube abastecer reservas em dólar para amortecer choques externos.

- Com isso, a economia indiana vem crescendo em taxas que variam entre 6,5% e 7% - afirma Paulani, que cobra uma mudança na postura do governo federal com relação aos investidores externos. - No início do governo, o presidente Lula tinha capital política para propor um modelo de controle de capital. Não é fácil fazer isso, mas é necessário. Caso contrário, continuaremos a crescer, no máximo, 3% ao ano.

Tags:
Edições digital e impressa