Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Unasul vai tratar de temas globais como a alta dos alimentos

Sexta, 23 de Maio de 2008 às 15:15, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira estar de “alma lavada” ao encerrar a entrevista coletiva em que falou sobre a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) ao lado dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Michelle Bachelet.

– Estou de alma lavada. Parecia impossível há quatro anos nós três estarmos sentados numa mesma mesa comunicando que finalmente demos um passo importante em benefício dessa grande nação sul-americana – afirmou.

Lula lembrou que o tratado de constituição da organização, assinado hoje pelos presidentes, não obriga nenhum país a abrir mão de seu estado nacional, de decisões específicas e de acordos bilaterais.

– Não é isso que queremos, queremos constituir políticas de consenso que permitam conjuntamente fazermos aquilo que sozinhos não temos forças para fazer.

A presidência pró-tempore da Unasul foi entregue por Evo Morales a Michelle Bachelet, que permanecerá à frente do recém-criado grupo pelo período de um ano. Ela destacou que um dos objetivos do grupo é fazer com que a voz dos países da região seja ouvida e levada em consideração na tomada de decisões.

– A América do Sul pode ser um ator global.

Bachelet afirmou que o grupo não irá tratar apenas de questões regionais, mas também de temas globais, como as crises alimentar e energética. Ela citou o tema energético como um dos que assumiram prioridade e falou sobre a crise de alimentos, afirmando que será um grande retrocesso se os países sul-americanos não enfrentarem unidos o tema da segurança alimentar e dos altos preços dos alimentos.

– Nas conversações entre os presidentes, surgiram diversas idéias de como aumentar a produção. Somos uma região que não tem escassez de alimentos, podemos ter escassez de alguns produtos em alguns países, mas não no conjunto – disse.

O boliviano Evo Morales confirmou a importância da complementaridade entre os países para resolver o problema da alimentação e da energia. “Nossa região é potencial no tema na energia renovável e não-renovável”, considerou.

Otimista, o presidente brasileiro disse que mesmo sem o dinheiro de blocos econômicos como a União Européia, a Unasul dará certo em “menos tempo do que qualquer outro processo de integração”.

No início da coletiva, Bachelet chamou a atenção para a diversidade da mesa, formada por um ex-líder sindical (Lula), um ex-líder indígena (Morales) e uma mulher. Disse também que desde o começo, o presidente Lula é um “pai” da Unasul por ser um ardente defensor da integração sul-americana.

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