O ministro da Fazenda, Guido Mantega, viajou a Lima (Peru) para participar de reunião da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL). Na agenda, a discussão com seus pares, ministros da Fazenda dos países integrantes da organização, estratégias conjuntas para enfrentamento da crise.
Segundo ele, os ministros estudarão mecanismos de defesa, principalmente se houver fuga de capitais. "Esse, no entanto, não é um problema para o Brasil", fez questão de frisar. Entre as medidas colocadas à mesa, Mantega citou a possibilidade da criação de um banco de compensação financeira ou a que favoreçam o fortalecimento dos que já existem. Os titulares das finanças sul-americanas deverão discutir estratégias comuns de defesa dos mercados com relação à invasão de produtos manufaturados de outros países, além das pressões cambiais na região.
Na prática, a reunião da UNASUL no Peru, país que preside a entidade no rodízio da presidência, é a expressão de um novo tempo. A própria presença do ministro Guido Mantega e suas declarações na reunião com as centrais sindicais no Brasil, somadas a do presidente do BC, Alexandre Trombini (ler neste blog), expressam também a mudança ocorrida no Brasil e na América do Sul, em busca de ações comuns para responder a crise internacional e seus desdobramentos imprevisíveis.
É imperativo a articulação com outros países da região
Como se vê, pelo agravamento da crise na Europa e pelo impasse vivido pelos Estados Unidos, os problemas estão longe de serem equacionados. A articulação de governos e países, assim como o diálogo com as centrais sindicais, é um imperativo do momento.
O mais relevante no cenário atual, no entanto, foi a declaração do ministro lembrando a crise de 2008 e o instrumentos que o governo Lula utilizou para superá-la e, com isso, evitar que o país sofresse suas conseqüências e comprometesse o rumo de sua política econômica e de projeto de desenvolvimento.
Na verdade, é disso que se trata: é o momento de aproveitarmos a crise para aprofundar as nossas políticas de crescimento, de distribuição de renda e de integração regional, o tripé de modelo de desenvolvimento nacional, popular e democrático.