Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Unasul administra tensões no continente

Chefes de Estado de 12 países latino-americanos reuniram-se, nesta sexta-feira, para assinar a ata constitutiva da União de Nações Sul-Americana (Unasul). A nova instituição, no nascedouro, demanda uma questão ideológica de fundo, o que impõe o desafio de integrar um continente dividido entre governos socialistas como da Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, outros de centro, como o Brasil e a Argentina, e ainda aqueles ligados ao liberalismo de Washington, a exemplo da Colômbia e Peru. Tensões regionais precisam ser administradas, diz assessor de Lula

Sexta, 23 de Maio de 2008 às 08:51, por: CdB

Chefes de Estado de 12 países latino-americanos reuniram-se, nesta sexta-feira, para assinar a ata constitutiva da União de Nações Sul-Americana (Unasul). A nova instituição, no nascedouro, demanda uma questão ideológica de fundo, o que impõe o desafio de integrar um continente dividido entre governos socialistas como da Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela, outros de centro, como o Brasil e a Argentina, e ainda aqueles ligados ao liberalismo de Washington, a exemplo da Colômbia e Peru.

A criação da Unasul, nome sugerido pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, é articulada desde 2004, ainda durante a formação da Comunidade Sul-Americana de Nações. A primeira nomenclatura foi uma sugestão do Brasil, mas, desde os primeiros encontros do grupo, Chávez requereu a mudança e venceu, no voto da maioria, ano passado. A associação busca aproximar os dois grande blocos da região, o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina de Nações. Integram a Unasul: Argentina, Chile, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Na previsão oficial do Itamaraty, apenas o presidente do Uruguai, Tabaré Vazquez, não poderá comparecer ao encontro e será substituído pelo vice-presidente, Rodolfo Nin Novoa.

A Unasul terá uma presidência rotativa de 12 meses a ser estabelecida. Com a assinatura da Constituição do bloco, o passo seguinte é estabelecer a estrutura administrativa da instituição, com uma Secretaria permanente, sediada em Quito, Equador, e formada por representantes designados pelos ministros das relações exteriores de cada país, como a principal instância decisiva da Unasul.

Para unificar as câmaras parlamentares do Mercosul e da Comunidade Andina, já começaram as conversas em torno de um parlamento único, embora a idéia encontre resistências entre os parlamentares de alguns países, inclusive do Brasil, que defendem a tese de que é preciso, neste momento, priorizar o fortalecimento do parlamento do Mercosul.

Tensões a administrar

Além das tensões entre Brasil e Paraguai, por conta da Hidrelétrica de Itaipú, o encontro também promove o encontro entre os presidentes Rafael Correa, do Equador, e Álvaro Uribe, da Colômbia, que vivem um conflito por conta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do papel do presidente venezuelano no conflito, em oposição direta a Uribe.

Na opinião do assessor especial da Presidência da República do Brasil, Marco Aurélio Garcia, um dos principais consultores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião pode ser uma chance de aproximação entre Chavez e Uribe. O programa do encontro prevê, após a assinatura da ata constitutiva, o encontro entre os presidentes.

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