No meio de uma sessão de O Prisioneiro da Grade de Ferro, documentário de Paulo Sacramento, uma família na platéia dava risadas tensas e abafadas enquanto eram mostradas imagens de presos que sofreram fisicamente com a incompetência médica do lugar (uma perna infeccionada, um pescoço inchado, etc). Outros espectadores próximos não reagiam, ficavam indiferentes. O Prisioneiro é de fato um filme forte, visualmente agressivo não só pelo que mostra, mas como o mostra.
Sacramento parece um cineasta realmente polêmico nas imagens que apresenta em suas fitas. Seu primeiro curta-metragem, Ave, mostra uma galinha sendo decapitada e seu sangue sendo injetado em um homem. No Prisioneiro, vemos o inferno penitenciário do Carandiru da forma mais crua: os próprios detentos filmam o espetáculo da vida carcerária. A proposta é uma boa revitalizada no gênero documentário, que ultimamente virou uma espécie de oba-oba de cineastas, pré-cineastas e pseudocineastas.
As imagens iniciais de O Prisioneiro da Grade de Ferro são poéticas (vemos a implosão do presídio de trás pra frente, o que sugere uma volta ao tempo). Os diversos presos retratados são vistos de forma passageira, nunca com o intuito de apresentar um elenco, mas ajudar a construir um ambiente (o que acabou ficando um pouco chato em Edifício Máster e o tornando um pouco vago, indeciso em relação ao objeto que quer trabalhar). Em termos de cinema, Prisioneiro não acrescenta muito. Mas causa um desconforto considerável, em alguns, tenso, abafado.
Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026
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