Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Uma sessão tensa, desconfortável

Segunda, 26 de Abril de 2004 às 07:37, por: CdB

No meio de uma sessão de O Prisioneiro da Grade de Ferro, documentário de Paulo Sacramento, uma família na platéia dava risadas tensas e abafadas enquanto eram mostradas imagens de presos que sofreram fisicamente com a incompetência médica do lugar (uma perna infeccionada, um pescoço inchado, etc). Outros espectadores próximos não reagiam, ficavam indiferentes. O Prisioneiro é de fato um filme forte, visualmente agressivo não só pelo que mostra, mas como o mostra.
 
Sacramento parece um cineasta realmente polêmico nas imagens que apresenta em suas fitas. Seu primeiro curta-metragem, Ave, mostra uma galinha sendo decapitada e seu sangue sendo injetado em um homem. No Prisioneiro, vemos o inferno penitenciário do Carandiru da forma mais crua: os próprios detentos filmam o espetáculo da vida carcerária. A proposta é uma boa revitalizada no gênero documentário, que ultimamente virou uma espécie de oba-oba de cineastas, pré-cineastas e pseudocineastas.
 
As imagens iniciais de O Prisioneiro da Grade de Ferro são poéticas (vemos a implosão do presídio de trás pra frente, o que sugere uma volta ao tempo). Os diversos presos retratados são vistos de forma passageira, nunca com o intuito de apresentar um elenco, mas ajudar a construir um ambiente (o que acabou ficando um pouco chato em Edifício Máster e o tornando um pouco vago, indeciso em relação ao objeto que quer trabalhar). Em termos de cinema, Prisioneiro não acrescenta muito. Mas causa um desconforto considerável, em alguns, tenso, abafado.        

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