Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Uma semana após distúrbios londrinos, bairro tenta se reconstruir

Sábado, 13 de Agosto de 2011 às 03:45, por: CdB

Avenida de Tottenham foi danificada pelo incêndio de um ônibus

As cicatrizes deixadas pela violência são visíveis nos prédios incendiados e nas lojas destruídas no bairro de Tottenham, onde começou a onda de distúrbios em Londres.

Mas, passada uma semana desde o primeiro dia de confrontos, enquanto máquinas consertam o asfalto danificado por um ônibus em chamas, ficam claros os esforços e a determinação para reconstruir a comunidade.

A atitude é resumida por Barbara, de 72 anos, que morou toda a sua vida em Tottenham: ?Ninguém está deprimido. Que escolha temos, a não ser tentar fazer o melhor possível??

Ela está entre os membros da igreja St Mary the Virgin, que fica a poucos metros de uma loja destruída pelos saques e que abriu na manhã seguinte ao primeiro dia de violência para prover refúgio a bombeiros. Ali perto, cartazes anunciam a realização de uma marcha pela paz.

Agora, a igreja está servindo os trabalhadores da construção civil local com chá, sanduíches e bolo.

‘Comunidade boa’

Moradores estão promovendo uma marcha pela paz

Barbara diz ver com otimismo a atmosfera do bairro.

?Percebi, caminhando na rua, que pessoas geralmente ocupadas agora dizendo ‘bom dia’ enquanto passam?, contou. ?É uma pena o que aconteceu em Tottenham, mas nos recuperaremos. É uma boa comunidade.?

O sentimento é compartilhado por um dos policiais que patrulham uma das ruas interditadas do bairro. Ele disse que, em geral, a população agradeceu a maior presença policial.

Os distúrbios londrinos começaram depois que a polícia matou Mark Duggan, de 29 anos, em Tottenham, morte esta seguida de um protesto pacífico diante da delegacia local.

O policial consultado pela BBC no bairro diz, com cautela, que a atmosfera em Londres pós-onda de violência é menos tensa. ?Antes, você percebia que as coisas iam mal.?

Todas as folgas policiais estão canceladas até a próxima terça. Até lá, o policial terá trabalhado 16 dias consecutivos. ?Em geral, a população não costuma dizer coisas boas sobre os policiais. Mas, num momento em que têm medo, as pessoas apreciam a (ação da) polícia.?

"As pessoas ainda estão um pouco temerosas de voltar às ruas, mas é preciso seguir em frente. Não podemos deixar que eles (agressores) nos abalem"

James Pledger, que trabalha em Tottenham

Negócios abalados

O empreendimento Thompson’s Seafoods, que existe há 22 anos em Tottenham, teve de ser fechado por conta do perímetro de isolamento imposto pelos policiais.

O funcionário James Pledger disse que os lucros estão dois terços menores do que em épocas normais, mas que ele se considera ?sortudo? pelo fato de o comércio onde trabalha não ter sido destruído.

?As pessoas ainda estão um pouco temerosas de voltar às ruas, mas é preciso seguir em frente. Não podemos deixar que eles (agressores) nos abalem?, disse Pledger.

Bob Thompson, dono do negócio, defende o bairro de Tottenham.

?Há 47 nacionalidades aqui; nunca havíamos tido problemas?, declarou. ?É uma pena. Todos pareciam felizes na tarde de sábado (passado). Daí acordei no domingo, liguei a TV e pensei que estava na Irlanda do Norte (geralmente associada a conflitos sectários na Grã-Bretanha). Fiquei chocado ao ver que era Tottenham.?

Ele recomenda que seus vizinhos ?relaxem e tentem voltar à vida normal. Esteve tudo bem pelos últimos 20 anos.?

Loja de tapetes foi um dos negócios destruídos em Tottenham

Mark St-Clair, de 37 anos, mora em frente a uma loja de tapetes completamente destruída nos distúrbios.

Ele estava viajando quando a onda de violência se desencadeou, mas sua companheira e dois filhos estavam em casa, ?com as malas prontas? para partir por terem percebido a presença de delinquentes diante de sua porta.

Apesar do trauma, ele se diz otimista quanto ao futuro. Inclusive se casou na última quinta-feira na igreja de St Mary, em uma cerimônia um pouco afetada pelas circunstâncias.

?A rua estava bloqueada, então tivemos que dar uma volta (para chegar). E muitas pessoas com quem trabalho ficaram com medo de vir?, disse.

?É terrível que (a violência) tenha escalonado a partir de um protesto pacífico – as pessoas se aproveitaram disso e decidiram fazer o que veio na cabeça.?

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