Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Uma revisão sobre O Rappa

Segunda, 05 de Julho de 2004 às 06:41, por: CdB

Passados mais de seis meses desde o lançamento de O Silêncio Q Precede o Esporro, último disco de O Rappa, ficam algumas certezas. A banda já lançou um DVD nesses pouco mais de seis meses e uma intensa divulgação em rádio (ninguém agüenta mais Rodo Cotidiano).
 
Quando foi lançado, O Silêncio tinha uma difícil missão a cumprir: superar ou pelo menos igualar Lado B Lado A, obra prima dos anos 90. O intervalo entre os dois discos é de pouco mais de quatro anos. Nesse meio tempo, a banda perdeu Yuka, a linha editorial do` Rappa, por razões ainda não esclarecidas. E como então deveria sair esse novo disco?
 
Musicalmente não houve grandes perdas, a não ser a bateria, mais técnica, com menos "empolgação". Para colocar os pingos nos is foi chamado o grande Tom Capone, que fez de O Silêncio o disco mais sonoro do Rappa. Quanto a letra, a postura da banda e a imagem com o viés social, impregnada na postura de Marcelo Yuka, houve alguma mudança. Todo o lado poético, experimental e implícito das letras de Yuka deram lugar a uma prosa meio condensada, meio que no meio do caminho entre imitar o estilo do ex-integrante e de fato criar uma nova fórmula de assimilação das idéias pelas palavras das músicas. Notem, não há letras como O que sobrou do céu ou Me deixa em O Silêncio. Mas temos aspirações nesse sentido que não chegam a cumprir essa poética, como em Papo de surdo e mudo, O salto e Linha Vermelha. E no meio do caminho temos o pior, que beira o ridículo como em Rodo cotidiano, Biterrusso Champagne e Óbvio. O Rappa agora começa um processo de redescobrimento, não sonoro, mas poético, até ideológico. Por enquanto ficamos com o silêncio.             

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