Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Uma eleição emblemática

Sábado, 04 de Junho de 2011 às 06:37, por: CdB

Neste domingo temos eleições no Peru. Diante do empate técnico entre os dois candidatos no segundo turno – o progressista Ollanta Humala e a conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori - a disputa é simbólica, pois remete ao comportamento da direita em toda a América Latina. No Peru, como em outros países, a elite, de mãos dadas com a mídia, joga pesado pelo conservadorismo. Há exceções, como o escritor e prêmio Nobel Mario Vargas Lhosa, que veio a público defender Humala, sob forte artilharia midiática, nesta reta final da corrida à presidência do país.

O fato é que lá, como aqui, há um total desprezo pela democracia. No Brasil, quem não se lembra da manipulação feita em prol da candidatura de Fernando Collor? Em Honduras, o apoio foi massivo na defesa do golpe contra Manuel Zelaya. Citamos também as sucessivas tentativas de golpe da Venezuela de Hugo Chávez e, no Equador, de Raphael Correa, a oposição sistemática das páginas dos jornais.

Por que não seria diferente no Peru? Por lá, a imprensa faz campanha por Keiko Fujimori abertamente. E, como não poderia deixar de acontecer, em seu clímax, a dois dias das eleições, ninguém menos que o ex-funcionário do departamento de Estado norte-americano, ligado à cúpula do Partido Republicano, Roger Noriega, aparece em cena.

Denúncia ridícula

Noriega se apresenta sem pudores com uma denúncia vazia e absurda, afirmando que Ollanta Humala recebeu US$ 12 milhões de Hugo Chávez para pagar, entre outras despesas, o publicitário João Santana. A denúncia de Noriega chega a ser ridícula. João Santana não está fazendo a campanha de Ollanta, o que apenas releva o grau de irresponsabilidade e impunidade de um funcionário do governo dos Estados Unidos que foi encarregado dos assuntos da América Latina. O episódio é emblemático de como os governos republicanos tratam a América Latina.

Em todo o caso, a manisfestação desesperada de um ex-alto funcionário do departamento de Estado norte-americano significa algo de bom: Ollanta está vencendo as eleições.

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