Já não era sem tempo. Finalmente alguém atacou o foco central da questão e coube aos países emergentes fazê-lo, alertando o Fundo Monetário Internacional sobre a concessão de mais recursos para a Grécia. A advertência dos emergentes, inclusive do nosso representante no Fundo, economista Paulo Nogueira Batista Júnior, foi notícia no jornal londrino Financial Times (FT).
O grande problema nessa história de socorros a países quebrados europeus, ou em vias de quebrarem - só para a Grécia já foram dois pacotes -, queixaram-se os emergentes, é a falta de clareza do plano de resgate. E, principalmente, a estratégia inadequada para a participação do setor privado.
Por isso o jornal inglês registra em sua matéria: "Preocupações entre os países participantes do FMI representam um desafio para Christine Lagarde, nova diretora-gerente, que deve decidir em breve quanto dinheiro ela recomenda que seja emprestado a Atenas." Há dois dias, Lagarde adiantou que estuda se serão necessários mais recursos para socorro a Grécia.
Nogueira Batista: plano de austeridade grego é muito severo
O representante brasileiro no FMI, Paulo Nogueira Batista Júnior, observou ao FT que o plano de austeridade imposto ao governo grego e aprovado por seu Parlamento é muito severo. Já a reestruturação da dívida nas mãos de credores privados, lembra muito bem Nogueira Batista, é infinitamente pequena. Em sua opinião Cristine Lagarde tem agora a oportunidade de afastar suspeitas de inclinação das autoridades econômicas pró-investidores europeus.
"Observadores ao redor do mundo estarão olhando para ver se ela transcende suas origens europeias", assinalou o representante brasileiro, lembrando o fato de Cristine Lagarde ser francesa e ex-ministra de Finanças de seu país.
Outro representante de emergente - e dos BRICS - o indiano Arvind Virmani, do conselho-executivo do FMI afirmou que o acordo fechado pelas autoridades europeias lida com questões de curto prazo, às quais aparentemente solucionaria, mas deixa Atenas com um duvidoso estoque de dívida soberana, trazendo ameaça de mais default.
Mundo econômico-financeiro observa ação de Lagarde
Estão certos em gênero, número e grau os representantes emergentes do Brasil e da Índia no FMI. De fato, ante a crise econômica global, os governos europeus (e o dos Estados Unidos) socorreram os bancos no passado e agora vacilam em socorrer governos e nações.
Preferem lançar todo o peso da crise nas costas dos trabalhadores, aposentados, idosos e das pequenas empresas.Daí a pequena cota de participação que atribuíram ao setor privado nesses planos de resgate de países quebrados ou em vias de quebrarem.
Uma certeira advertência dos emergentes ao FMI
Sexta, 29 de Julho de 2011 às 07:09, por: CdB