Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Um museu italiano com inspiração suíça

Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 08:36, por: CdB

Um arquiteto suíço dá nova vida ao Museu do Automóvel de Turim, centro da indústria automobilística italiana. Através da cenografia, François Confino transformou um museu tradicional em um moderno santuário do automóvel.

O projeto levou quatro anos e têm-se a impressão, única nesse tipo de museu, de que tudo está em movimento.

O renascimento do Museu do Automóvel de Turim coincide com a realização do protótipo de um carro desenhado por  Leonardo da Vinci. A geringonça em madeira e cordas impressiona pela intuição do gênio.
 
“Em 1478 ele projetou esta espécie de carro. Claro, o veículo nunca foi construído, mas a ideia básica estava lá. As rodas, o mecanismo do movimento etc; o fizemos com a ajuda dos croquis de Leonardo da Vinci. Temos ainda a reconstrução do carro a vapor, de 1769, o primeiro automóvel da história”, diz à swissinfo.ch, o arquiteto suíço, François Confino, responsável pela revitalização do museu que tem 30 seções à disposição dos visitantes.
 
François Confino trabalhou em sintonia com o projeto do arquiteto milanês, Cino Zucchi, responsável pela construção da nova ala e da reforma das instalações antigas. O suíço se move pelos corredores do prédio com a desenvoltura de quem conhece cada metro quadrado do imóvel.
 
Nos últimos quatro anos o arquiteto, nascido em Genebra, mergulhou nas entranhas do velho museu e o transformou num moderno santuário do automóvel. Mas, a grande manobra foi a de fazer do local um templo à civilização do carro. Ou seja, “transportar” dentro de cada veículo exibido uma passageira muito especial: a história da humanidade.
 
Projeto
 
A interatividade é uma das principais atrações do novo museu. “Um museu, hoje, tem várias funções e as pessoas não querem apenas ter um contato com uma tela digital. Elas querem ver as coisas reais, tocar a história viva. Os carros são importantes e o que acontece ao redor deles também é”, afirma François Confino.
 
Ele tinha as ideias bem claras quando aceitou o encargo de criar a cenografia da mostra de 200 carros. “ No passado podíamos expor um automóvel com uma placa na qual se liam os dados. Era uma contradição fundamental e paradoxal em respeito à função original do carro. Então, eu decidi introduzir o movimento ao redor do carro para equilibrar a imobilidade obrigatória devido ao espaço. E para isso realizamos alguns truques”, conta o arquiteto-cenógrafo.
 
Confino  tomou a palavra automóvel ao pé da letra, a “desmontou” e fez do museu um novo o significado do vocábulo. Por isso, cada coleção de carros está inserida num determinado contexto político, econômico e social. Todas estas informações são acompanhadas de projeções audiovisuais e de objetos de época que circundam a evolução do automóvel.  “Boa pare dos filmes, gravações dos rumores de fábrica e narrações antigas são originais.  Os áudios que criamos respeitam o período de origem”, afirma François Confino.
 
Movimento
 
A lei da inércia foi superada pela criatividade do homem. Na sala dos “loucos anos20 e 30”, estão um Rolls Royce, de 1914, um Isotta Fraschini 8, de 1920, ao lado de painéis gigantes de Greta Garbo e Rodolfo Valentino,  ao som de “charleston” e das imagens de filmes mudos e com cenas de carros em ação. Já os anos 50 e 60, do boom econômico, revelam o estilo de vida dos motoristas e passageiros da minúscula Fiat 500 cercada de cadeiras e cestas de piquenique.
 
Uma das instalações que mais chama a atenção é a dos carros de corrida. O mito da velocidade é representado por uma competição imaginária. Na pista estão 25 modelos que “correm” entre os anos de 1907 e 1987. Para dar a ilusão de movimento, uma imagem projetada sob os carros alinhados desfilam como se fosse um “asfalto vivo”, animado. E, claro, o ronco dos motores que tomam conta do ambiente.

François Confino no Museu de Turim (swissinfo)

Fábrica

A história da produção em série está nas seções Sinfonia Mecânica e  Metamorfose. O visitante pode “entrar” numa linha de montagem, ouvir e ver o trabalho dos operários, num percurso que vai dos mínimos componentes até a instalação do motor. Não por acaso, o pioneiro Model T, da Ford, o primeiro a ser fabricado numa linha de montagem, está num jogo de espelhos que o multiplica ao infinito.
 
A cenografia passa também inclui os esboços e desenhos dos carros. Foi realizado um profundo trabalho de pesquisa para recuperar documentos antigos. “Nós conseguimos recuperar os projetos originais, as plantas do chassis, da traseira, da lateral, da frente de alguns carros, como este aqui, a Cisitalia 202, de 1947, um dos mais belos carros jamais construídos”, diz François Confino.
 
Carro e cinema
 
Ele lembra que quando caminhava com o pai, pelas ruas de Genebra, admirando os carros e visitando o famoso Salão do Automóvel, nunca pensou que um dia iria construir um museu dedicado aos carros.
 Mas também, quando assistia aos filmes, não pensava em realizar um museu do Cinema como fez em Turim,  dez anos atrás.
Agora, François Confino, usa os faróis dos carros para exibir a história da humanidade. Ele criou um drive-in de cultura.

Guilherme Aquino, swissinfo.ch
Turim

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