A grande imprensa a princípio ignorou o Manifesto de intelectuais, ”O que está em jogo agora”, que circulava ágilmente, multiplicando-se pelas redes sociais e pela mídia independente. Mas não se conteve, com a avalanche de apoios, alguns altamente significativos. Na noite de sexta-feira, dia 27, o número de adesões alcançava 6.200 e vai tendendo a aumentar.
Dia 24 de fevereiro de 2015, veio um editorial iracundo de “O Globo”. Ali falava de manobras em curso: “traçar um cenário pré-64, algo delirante, e colocar no centro dele a Petrobras como vítima de entreguistas, interessados em aproveitar o escândalo para surrupiar as reservas de pré-sal do país. A ponta visível dessa operação política é o manifesto de um grupo de intelectuais redigido para denunciar ‘a campanha para esvaziar a Petrobras’ e ‘entregar o pré-sal às empresas estrangeiras, restabelecendo o regime de concessão’”. O significativo foi que, ao citar dois parágrafos do manifesto, colaborava em deixar às claras as verdadeiras intenções da direita, isto é, mostrar a Petrobras incapaz, devendo entregar a exploração a outros interesses ávidos. Segue o editorial: “Se a Petrobrás, em condições normais já tinha dificuldade para tocar esse plano de pedigree ‘Brasil Grande’(sic), agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo”. Solução lógica nas entrelinhas: entregar o petróleo brasileiro ao grande capital! E o editorialista não tem nenhum escrúpulo em negar um emergente Brasil Grande, exibindo sem vergonha alguma, o desenho de um país submisso e colonial, sem “pedigree”, isto é, vira lata. Aliás, era isso que o manifesto denunciava e que o editorial do “The Globe”, a contrario senso, deixou evidente.
Um escrevinhador nesse mesmo jornal, dia 26, tentava passar a ideia de um manifesto governamental ou petista. Na verdade (ver a lista abaixo), dos quarenta e oito que assinaram em primeiro lugar, a maioria não tem filiação partidária (só alguns são do PT ou do PSB) e nenhum faz parte do governo. O núcleo menor que produziu o manifesto não tem, não teve e nem terá ligação alguma com o governo, nem tem militância partidária. Aliás, o texto do manifesto é claro ao final: “Conclamamos as forças vivas da Nação a cerrarem fileiras, em uma ampla aliança nacional, acima de interesses partidários ou ideológicos, em torno da democracia e da Petrobras, o nosso principal símbolo de soberania”.
Pensando dar um furo, o colaborador global atribuiu a autoria a Franklin Martins, para caracterizar uma origem vinda de dentro do aparelho do estado, já que este jornalista fez parte de governo anterior. A verdade é que ele foi, dos quarenta e oito iniciais, um dos últimos a assinar, o que não quer dizer que sua presença não deixe de ser significativa e importante, por sua grande e antiga experiência na mídia.
Trata-se de um Manifesto nacionalista, pela Petrobras e pela Democracia, de quem acredita num Brasil que faz parte dos BRICS emergentes e não um país subserviente. A posição independente e crítica do Manifesto está a serviço da construção da Nação, movimento histórico que vem de mais atrás, dos tempos de Vargas e de Juscelino e da grande campanha: “O petróleo é nosso”. Afirma-se na defesa da Petrobras, prova eloquente de uma maioridade tecnológica e produtiva que nos orgulha a nível internacional.
São condenáveis os malfeitos que vem de muitos anos atrás e há que exigir a punição rigorosa dos criminosos que atentam contra nossa notável indústria petroleira e, numa gatunagem da coisa pública, dão armas ao jogo dos piores entreguismos.
Repito: trata-se de uma grande corrente nacional e patriota, contra os que, vergonhosamente, não confiam no Brasil e de tudo se servem para denegri-lo e torná-lo pequeno. Estes últimos têm uma dimensão mesquinha e liliputiana, ligados a inconfessados interesses anti-nacionais. Tudo parece indicar que estão, conscientemente ou não, a serviço de um grande capital especulativo, ávido de pôr a mão nas riquezas do pré-sal e da produção petroleira em geral.
Nada melhor do que repetir o texto do manifesto, curto e direto:
Luiz Alberto Gómez de Sousa, é sociólogo e ex-funcionário das Nações Unidas, é diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Cândido Mendes.
Um Manifesto independente e plural, a partir da sociedade: "O que está em jogo agora"
Por Luiz Alberto Gómez de Sousa - A grande imprensa a princípio ignorou o Manifesto de intelectuais, ”O que está em jogo agora”, que circulava ágilmente, multiplicando-se pelas redes sociais e pela mídia independente. Mas não se conteve, com a avalanche de apoios, alguns altamente significativos. Na noite de sexta-feira, dia 27, o número de adesões alcançava 6.200 e vai tendendo a aumentar.
Segunda, 02 de Março de 2015 às 06:52, por: CdB