Merece moções de aplausos a atitude do governo argentino de pedir à Justiça prisão perpétua para o ex-oficial da Marinha, capitão Alfredo Astiz, o Anjo Louro da Morte, por seu papel no assassinato de duas freiras francesas, Alice Domon e Léonie Duquet, desaparecidas durante a última ditadura (1976-1983) no país.
O Anjo Louro da Morte, acusado de ter cometido sequestros, torturas e assassinato de civis - entre estes os das duas freiras - na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), já havia sido condenado à mesma pena pela Justiça francesa em 2010. Com a condenação, o ex-oficial, de 59 anos, poderá permanecer na prisão, sem possibilidade de recurso, além do limite de 25 anos previsto pela lei argentina.
O pedido do governo da presidenta Cristina Kirchnner (Partido Justicialista) e a condenação evidenciam o avanço permanente e cada vez mais amplo da justiça nos casos dos crimes de tortura e assassinato cometidos durante o último governo miltiar argentino, um dos períodos mais violentos e sangrentos da história do país.
Exemplo para o Brasil
De acordo com os levantamentos das organizações de direitos humanos, cerca de 30 mil pessoas foram assassinadas ou engrossam a lista de desaparecidos políticos durante aquela ditadura. Lá o processo de reparação e revisão histórica, busca da verdade e da justiça, caminha sem interrupções.
O caso do capitão Alfredo Astiz é apenas mais um - realmente o mais emblemático uma vez que ele se tornou um símbolo nefasto de militares que, apesar dos crimes hediondos que praticaram, viviam na impunidade.
Mais um exemplo para o Brasil - depois de 47 anos de instauração da ditadura militar aqui (1964) e de 26 de seu término (1985) - apressar e aprovar o quanto antes a nossa Comissão da Verdade e da Justiça, há meses em tramitação no Congresso Nacional.
Um exemplo de revisão histórica para o Brasil
Sábado, 07 de Maio de 2011 às 05:35, por: CdB