Continuamos com uma falta total de políticas metropolitanas e para as áreas de risco, como a região serrana do Rio de Janeiro, onde a ocupação irregular do solo - e a maior parte é constituída por encostas e morros - é a regra e não uma exceção. Resultado: 356 mortes provocadas por deslizamentos, soterramentos, inundações, enfim, até a madrugada de hoje. (Leia destaque acima)
O país precisa, inclusive, de programas específicos para as áreas em que se situam barragens, já que há, também, uma total falta de políticas preventivas com relação ao risco delas transbordarem. Fora o fato de que há décadas não revisamos os planos de risco dessas barragens, cuja abertura ou sangramento não obedecem a um planejamento prévio.
Elas são erguidas sem que sequer sejam feitos estudos do seu impacto na região, um verdadeiro crime cometido contra as cidades e populações atingidas!
Ao lado disso, também é preciso reestruturar toda defesa civil no Brasil - nos três níveis da federação de governo, federal, estadual e municipal. Ainda que tenhamos sistemas com esse nome não temos, na verdade, uma defesa civil de fato, apesar do esforço heróico de nossos bombeiros, dos membros dessas corporações e das equipes de integrantes das administrações públicas que se mobilizam ante essas tragédias.
É preciso ter consciência de que o país se encontra diante de uma encruzilhada: ou toma consciência da necessidade dessas novas políticas, de uma maior racionalização das existentes, de novas políticas nacionais de habitação, transportes, saneamento e controle de enchentes, dirigida para as áreas metropolitanos e para as regiões de risco, ou continuaremos a viver tragédias dessas proporções.