Um pronunciamento realizado às 23h, quando a maioria dos norte-americanos médios já estava dormindo ou se preparando para isso, na noite de um domingo de festa para os trabalhadores de todo o mundo, sobre a morte do homem mais procurado do mundo, dá início às dúvidas que pesam até agora sobre a morte do extremista islâmico árabe Osama bin Laden . No dia 1º de Maio, o presidente Barack Obama aparece em frente às câmeras, depois de vazar a notícia para a rede de TV CNN, para afirmar que o desafeto dos EUA havia sido assassinado em uma ação secreta das forças de segurança daquele país no Paquistão.
Rapidamente, o fato ganha ares de uma final de copa do mundo e uma multidão se aglomera na Avenida Pennsylvania, em frente a Casa Branca, para comemorar a morte do inimigo número um dos EUA e as comemorações abafam as dúvidas que ainda restam sobre a ação norte-americana em solo paquistanês.
Na manhã desta segunda-feira, uma falsa imagem do corpo de bin Laden é publicada na página do diário conservador espanhol El Mundo e rapidamente desmascarada em reportagem no diário progressista inglês The Guardian. Em seguida, autoridades militares dos Estados Unidos informam que o corpo do líder sunita, alvo de esforços bilionários dos aliados na série de ações armadas em vários países do mundo, classificada como Guerra ao Terror, fora jogado ao mar, em um sepultamento que desobedece tanto as leis norte-americanas quanto aquelas do país onde nasceu, a Arábia Saudita. Segundo porta-voz do centro Al-Azhar, alta autoridade intelectual do Islã sunita, o Alcorão é contra sepultamentos no oceano. Autoridades sauditas também questionaram a decisão norte-americana de se livrar do cadáver sem antes consultar o governo daquele país, que é o principal aliado norte-americano no Oriente Médio. Em uma explicação para o ato, militares disseram ao canal norte-americano de TV NBC que dispensar o corpo no mar seria uma maneira de evitar peregrinação ao local do sepultamento.
Nenhuma foto oficial divulgada até agora, exceto um filme inconclusivo da rede norte-americana de TV CBS, sobre o ataque à suposta mansão – que seria uma casa simples – onde teriam morrido três pessoas, mostra as condições em que o corpo do insurgente saudita foi encontrado, após o bombardeio. Nenhuma imagem dos corpos foi divulgada.
O ataque norte-americano a um alvo em solo paquistanês também fere uma série de artigos da legislação norte-americana. Embora os exames de DNA teriam confirmado que o líder da al-Qaeda era a pessoa morta na operação de forças norte-americanas, segundo afirmou fonte do governo dos Estados Unidos às agências de notícias, a ausência do corpo e a total impossibilidade de um exame cadavérico posterior impedem que qualquer dúvida seja dirimida.
Diante o impacto das últimas informações, nenhuma fonte da al Qaeda se pronunciou, até agora, de forma positiva no reconhecimento da perda de um dos fundadores da rede de ações extremistas. Apenas alguns comandantes do Talebã, grupo armado afegão que combate as forças aliadas naquele país, juraram 'morte aos infiéis (do Islã)' que teriam matado o líder mais conhecido da al Qaeda.
A diplomacia brasileira evitou divulgar um pronunciamento mais enfático sobre o tema, a exemplo de países como a Rússia, a China e a Índia, que aparentemente ainda têm sérios questionamentos sobre a veracidade dos fatos. O ar blazé assumido pelo presidente Obama, em uma solenidade pela passagem de um conflito na Coreia do Norte, nesta manhã, apenas acentua as dúvidas que pesam sobre o possível assassinato de bin Laden.
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