Umincêndio ocorrido na madrugada do dia 8 de julho de 2010 na Penitenciária doDepartamento de Rocha, no Uruguai, deixou 12 presos mortos e oito feridos. Naépoca, organizações defensoras de direitos humanos chamaram atenção para ascondições dos presídios no país. Na última sexta-feira (8), exatamente um anoapós o episódio, Anistia Internacional do Uruguai (AIU) afirmou que o quadrocontinua o mesmo.
"AnistiaInternacional Uruguai (AIU) expressa sua preocupação porque esteestabelecimento carcerário continua funcionando nas mesmas condições em que sedesencadeou o incêndio na madrugada de 8 de julho de 2010”, apresentou.
Ofogo começou por volta das 3h30 na cela dois. O local, construído para abrigaroito presos, possuía 20 internos, situação que se repetia em outras alas dapenitenciária. Organizações de direitos humanos chamaram a atenção para a superlotaçãoe a falta de estrutura do local.
Apenitenciária de Rocha é uma das mais lotadas do país. Na época, contava com 50setores para 174 presos. Ou seja, abrigava 290% a mais de sua capacidade. Asituação das prisões uruguaias já havia sido alertada inclusive pelaOrganização das Nações Unidas (ONU).
Deacordo com Anistia Internacional, em março de 2009, o relator especial da ONUsobre tortura, em visita ao país, analisou as más condições dos presídios noUruguai e observou tratamento desumano e degradante em alguns estabelecimentos.
"Apósa visita, [o relator da ONU] recomendou que se realizasse uma reformafundamental dos sistemas penitenciários e de justiça penal. Reforma que aindaestá distante de acontecer desde uma visão integral e respeitosa dos direitoshumanos das pessoas privadas de liberdade”, lembrou.
Porconta disso, Anistia Internacional Uruguai aproveitou para recordar um ano dofato e de novamente pedir ao Estado uruguaio o respeito aos direitos humanosdas pessoas presas no país.
"AIUreitera que a segurança e o respeito à integridade física e mental das pessoasprivadas de liberdade é responsabilidade do Estado e que as medidas paracorrigir os problemas ocasionados por suas próprias falências devem ser tomadascom celeridade para que não se repitam novos incidentes destascaracterísticas”, destacou.