Rio de Janeiro, 10 de Fevereiro de 2026

Um alerta contra a concentração de poder na mídia brasileira

Por Gilberto de Souza - Leio com pesar a declaração publicada na página eletrônica da Agência Carta Maior por seu diretor-presidente, Joaquim Ernesto Palhares, e o editor-chefe, Flávio Wolf Aguiar. (Leia Mais)

Domingo, 12 de Agosto de 2007 às 17:10, por: CdB

Leio com pesar a declaração publicada na página eletrônica da Agência Carta Maior por seu diretor-presidente, Joaquim Ernesto Palhares, e o editor-chefe, Flávio Wolf Aguiar. Trata-se de um depoimento sincero acerca do maior risco à liberdade dos brasileiros e ao que parece ser o inexorável controle da mídia nacional por um número cada vez mais reduzido de empresários ligados à direita e aos interesses internacionais, estruturados para corromper a independência dos meios de comunicação.

O enfraquecimento da Agência Carta Maior e a inércia de setores inteiros da produção intelectual, entre eles o de jornalismo, impresso e audiovisual, traduzem a perigosa concentração das notícias e informações no conjunto dominado pelas empresas dos conglomerados formados pelas editoras Abril, Folha da Manhã, Globo e Grupo Estado. Apenas estas quatro empresas e suas sucursais controlam mais de 80% da mídia nacional, de acordo com avaliação de auditores independentes, consultados pelo Correio do Brasil. O controle da comunicação de massa é, na realidade, a maior manobra política da direita em curso desde o golpe de Estado de 1964.

Reduzir a participação das forças conservadoras no controle político do país é, hoje, o maior desafio enfrentado por aqueles brasileiros que, por duas legislaturas consecutivas, elegeram um representante das classes trabalhadoras para a Presidência da República. Nas urnas, dissemos um sonoro "Não!" ao neoliberalismo e ao desmanche progressivo e criminoso do Estado. A força do capitalismo internacional, porém, não perdoou a autodeterminação brasileira e age em constante e crescente desafio às leis em vigor, contra os interesses mais legítimos desta nação. Com a Veja no pelotão de frente deste assalto aos planos de uma sociedade mais justa e agindo no completo interesse dos grupos econômicos mais poderosos em atividade no país, a Folha de S. Paulo, a TV Globo, O Globo e O Estado de S. Paulo completam a força tática em operação para deter o avanço do socialismo no Brasil. Cabe a estes, deliberadamente, levantar uma muralha de informação e contra-informação - não necessariamente nessa ordem - para iludir, distrair e falsear a opinião pública.

Tais afirmações seriam levianas caso não fosse possível confirmá-las. Basta, no entanto, cinco minutos de leitura a qualquer um desses periódicos ou uma simples análise do conteúdo divulgado pela TV Globo e suas afiliadas, em todo o território nacional, para perceber a que senhor eles servem. E não será ao resultado das urnas, com certeza. Muito menos à proteção dos ideais mais legítimos de liberdade e justiça. Percebe-se, claramente, que a linha editorial daqueles meios de comunicação visa combater toda e qualquer ação mais próxima do socialismo ou da contestação aos preceitos de Washington, de Wall Street e da City. O poder do dinheiro, claro, alicia parte dos jornalistas brasileiros e estes passam a servir com lealdade às empresas em linha com as matrizes. Esta sinergia produz a concentração de quase todo o poder da mídia e o controle absoluto das verbas publicitárias tanto do setor privado quanto do estatal.

Blindado pela fórmula que reúne a força trabalhadora com empregos estáveis, remunerados com o resultado do controle da publicidade, o sistema atende aos interesses internacionais e avança contra a soberania brasileira. Vê-se, claramente neste movimento, a tentativa de inteiro controle do setor.

O plano seria perfeito, se não fosse arrogante.

O ataque às liberdades democráticas, disfarçado na pele de cordeiro da liberdade de imprensa, está cada vez mais acintoso na preparação do ardil que antecede a mais uma eleição, prevista para o ano que vem. De posse de verdadeiras e consideráveis fortunas, dispost

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