Nesta segunda-feira, Dia Internacional da Mulher, Lúcia Mendonça Previato recebe o Prêmio L'Oreal-Unesco para Mulheres na Ciência, no valor de U$ 100 mil. Ela é professora do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora da área de ciências biológicas da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ.
O prêmio que Lúcia Previato irá receber é fruto das pesquisas que ela realiza com o Trypanosoma cruzi (parasita causador da doença de chagas) em busca da prevenção do mal. "Eu nunca tive problemas por ser mulher para desenvolver minhas pesquisas e para criar meus dois filhos", afirma Lúcia. Ela se considera uma privilegiada, por atuar numa área em que as mulheres tiveram tantas facilidades como os homens.
As mulheres correspondem hoje a 41% da População Economicamente Ativa (PEA) do Brasil, ou 31 milhões de trabalhadoras. O número de mulheres responsáveis pelos domicílios aumentou 38% na década passada. Em 1991, 18,1% dos chefes de famílias eram mulheres. O percentual passou para 24,9% em 2000 - 11,1 milhões ou 12,9% das 86,2 milhões de brasileiras, conforme revela o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A maior proporção de mulheres na chefia da casa ocorre na região Nordeste, com 25,9% e Sudeste, com 25,6%. Segundo o IBGE, elas estão assumindo esse papel cada vez mais jovens, enquanto os homens responsáveis pelos domicílios estão envelhecendo. Entre os 11,2 milhões de mulheres responsáveis por suas casas, 3,4 milhões têm mais de 60 anos.
Um dos grandes problemas enfrentados pela população feminina no Brasil ainda é a questão salarial. As informações do IBGE sobre o rendimento do trabalho indicam que as mulheres têm remuneração inferior à dos homens. A população feminina ocupada concentra-se nas classes de rendimentos mais baixos: 71,3% das mulheres que trabalham recebem até dois salários mínimos, contra 55,1% dos homens. A desigualdade salarial aumenta conforme a remuneração. ]
A proporção de homens que ganham mais de cinco salários mínimos é de 91,8% e das mulheres, 9,2%. A diferença entre homens e mulheres permanece em todas as regiões do país. No Sudeste, 61,1% das mulheres ganham até dois salários mínimos e, no Sul, essa proporção é de 72%. Nas demais regiões, a diferença passa de 41,8% para 49,1%.
No item escolaridade, de acordo com o IBGE, as mulheres avançaram. A proporção de alfabetizadas passou de 80,6% em 1991 para 87,5% em 2000, apresentando ligeira vantagem sobre os homens neste quesito.