O presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, participou da Conferência anual, em Genebra, da Organização Internacional dos Trabalhadores. Ao retornar ao Brasil, ele faz uma síntese de suas atividades:
– A UGT foi a representante, aqui em Genebra, de todos os trabalhadores brasileiros e nossa fala foi voltada para o emprego e para a inclusão social. Por mais que o Brasil com o governo Lula tenha tido possibilidades grandes de inclusão com mais de 30 milhões saindo da linha da miséria, ainda nós temos crises enormes na área da educação e a injustiça social ainda continua.
Ainda segundo o líder sindical, "não há dúvida que o governo Lula superou uma série de adversidades como foi dito".
– Mas os trabalhadores querem que a OIT observe as mudanças que devem ocorrer nas relações entre o capital e o trabalho e não só valorizar o mercado, porque muitas vezes, e nós vimos na crise do ano passado em especial, nós percebemos que a falta de regulamentação, a falta de regras, valorizando por demais a área financeira em detrimento do emprego, acabaram trazendo uma crise que ainda persiste na Grécia, na Irlanda, na Espanha e Itália – acrescentou.
Ricardo Patah pontuou, em seguida que tem o exemplo do Brasil e quis "dar para todos essa motivação, no sentido de que a área social deve ser valorizada e enfatizadas as questões relacionadas com a inclusão social".
Com relação ao aumento da idade para a aposentadoria, disse o presidente da UGT:
– No Brasil, nós temos um problema muito similar, que é o da diminuição dos aumentos salariais para quem está aposentado. Existe um tal de fator previdenciário e também há uma tendência de se querer aumentar a idade. Isso na realidade é muito ruim, porque no Estado de direito existe a expectativa de ser preservado tudo aquilo que está em vigor. Não há dúvida que a longevidade está diferente por conta da tecnologia e por conta da própria globalização, mas as regras têm de ser criadas para a frente, para o futuro.
Patah acrescenta que a questão das aposentadorias "precisa ser muito discutida com a sociedade porque os países sempre alegam não ter dinheiro para pagar a aposentadoria, mas países pagam somas absurdas relativas aos juros das suas dívidas internas, muito mais altos que a própria previdência, então, precisamos bem discutir antes de se tirar direitos dos trabalhadores".