Rio de Janeiro, 16 de Setembro de 2026

UE propõe cotas extras ao Mercosul

Quinta, 13 de Maio de 2004 às 21:55, por: CdB

Negociadores da União Européia (UE) sugeriram uma ampliação da cota de importação de carnes nobres do Mercosul, a chamada cota Hilton, como parte de um acordo comercial que deve ser assinado até outubro. A cota extra seria de 100 mil toneladas.

O objetivo da oferta é satisfazer a Argentina, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo. Ela complementa uma outra proposta recente da UE, de uma cota de importação de álcool de 1 bilhão de litros, o que beneficia o Brasil.

- Queremos dar a eles maior mercado para carne de primeira qualidade. Não é ainda uma oferta concreta, mas é o número sugerido - disse uma autoridade da Comissão Européia, que negocia o acordo em nome nos 25 membros da UE, referindo-se ao volume de 100 mil toneladas.

A fonte não falou sobre possíveis tarifas. O acesso dos produtos primários do Mercosul ao mercado europeu tem sido a área mais problemática na negociação do acordo comercial entre os dois blocos. A UE ainda mantém muitos mecanismos de proteção, enquanto grandes produtores como Brasil e Argentina esperam aumentar suas exportações.

Medidas são um aceno a Brasil e Argentina . As duas ofertas - cotas extras para carne e álcool - fazem parte da estratégia de agradar as duas maiores potências agrícolas da América do Sul.

Na última semana, a UE já havia proposto abrir seu mercado para quase 300 produtos primários processados provenientes do Mercosul, iniciativa que, segundo especialistas, abre caminho para que os dois blocos apresentem propostas formais para o acordo. Isso deve acontecer antes da cúpula UE-América Latina que acontece em 28 de maio, em Guadalajara, México.

A UE propôs eliminar gradualmente tarifas de importação sobre mais de 90% dos produtos do Mercosul. Para os 10% restantes, que compõem uma lista de produtos agrícolas críticos, sugeriu estabelecer cotas tarifárias como forma de aumentar o acesso aos sul-americanos.

UE espera contrapartida no setor de serviços e compras

Em troca, Bruxelas espera do Mercosul melhores ofertas na área de serviços, compras estatais, investimentos e acesso ao mercado de produtos não-agrícolas. Os detalhes ainda estão sendo estudados.

- Enquanto não tivermos certeza de que o pacote está equilibrado, não poderemos pôr uma oferta na mesa. Gostaríamos de ver uma troca de propostas antes de Guadalajara - disse a fonte.

O principal ponto de discórdia são as compras públicas. O Brasil tem problemas com isso.

Cada um dos quatro países do Mercosul tem sua própria cota Hilton para a UE. A cota anual da Argentina é de 28 mil toneladas. No total, o bloco pode exportar 40.300 toneladas por ano à UE.

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