Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

UE pede a EUA e Israel que colaborem com Abbas

Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 18:19, por: CdB

Israel deve reagir à vitória de Mahmoud Abbas nas eleições palestinas de domingo suspendendo as restrições de movimentos aos moradores da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, disse a comissária de Relações Exteriores da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, na segunda-feira.

A diplomata afirmou ainda que os Estados Unidos deveriam colaborar de forma mais construtiva com Abbas do que em relação ao falecido líder Yasser Arafat.

Abbas, que prega a retomada do processo de paz, obteve 62,3 por cento dos votos, que lhe confirmaram como sucessor de Arafat à frente da Autoridade Palestina. Sua vitória é vista como um fator de esperança na retomada das negociações.

Diante do resultado, os EUA acenaram com mais ajuda financeira aos palestinos. A União Européia já é a maior doadora à Autoridade Palestina.

"Mas nenhuma quantidade de ajuda da comunidade internacional vai ajudar enquanto estiverem presentes as restrições à liberdade de movimentos", disse Ferrero-Waldner por telefone à Reuters.

"Israel precisa suspender as restrições à liberdade de movimentos. Precisamos ver Israel cuidando deste assunto", acrescentou ela, que prometeu discutir o tema em sua viagem ao Oriente Médio, no começo de fevereiro.

O chefe da diplomacia européia, Javier Solana, acompanhou a votação de domingo em Ramallah e faz pressão pela retomada rápida do processo de paz.

A UE deu cerca de 250 milhões de euros (328 milhões de dólares) à Autoridade Palestina em 2004, cifra que deve se repetir neste ano, segundo Ferrero-Waldner.

No ano passado, o chanceler palestino, Nabil Shaath, disse que nem a injeção de 1 bilhão de dólares por ano nos territórios ocupados ajudaria a recuperar a economia palestina, caso Israel continue restringindo o deslocamento da população, que tem dificuldades para produzir e vender bens.

Os Estados Unidos e Israel se recusavam a negociar com Arafat, morto em novembro, por acusá-lo de incitar à violência, o que ele morreu negando. Ferrero-Waldner, que embarca para Washington na quarta-feira, disse que vai propor uma postura diferente com relação a Abbas.

"Nos EUA, vou sair claramente em defesa desse importante assunto. É essencial para todos os europeus se manifestarem e dizerem que agora há uma contraparte verdadeira", disse ela, reconhecendo, porém, que será difícil convencer os EUA a serem mais flexíveis no seu tradicional apoio incondicional a Israel.

"Não será fácil. Mas acho que, quanto mais falarmos claramente, melhor será", afirmou a diplomata.

Ela disse que o governo de Abbas terá de aprofundar as reformas e reconstruir as instituições palestinas, concentrando-se especialmente na segurança e no estado de direito.

A UE enviou cerca de 280 observadores eleitorais -- sua maior missão desse tipo na história, comandada pelo ex-primeiro-ministro francês Michel Rocard. Os monitores disseram que a eleição palestina transcorreu sem irregularidades.

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