Rio de Janeiro, 23 de Agosto de 2026

UE: europeus defendem distribuição justa de refugiados

Um estudo divulgado nesta terça-feira indica que a maioria dos europeus é favorável a uma distribuição justa dos refugiados entre os 28 países da União Europeia

Terça, 16 de Fevereiro de 2016 às 08:29, por: CdB

 

Pesquisa aponta que cidadãos do bloco querem preservar livre circulação entre países-membros e dividir responsabilidade por imigrantes

  Por Redação, com DW - de Londres:   Um estudo divulgado nesta terça-feira indica que a maioria dos europeus é favorável a uma distribuição justa dos refugiados entre os 28 países da União Europeia (UE) e de uma política migratória e de asilo comum aos Estados do continente. O levantamento realizado pela Fundação Bertelsmann foi divulgado às vésperas da reunião de cúpula da EU, na qual a crise dos refugiados será debatida pelos líderes dos países do bloco.
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Ao mesmo tempo, maioria teme consequências para sistema de bem-estar social
De acordo com a pesquisa, dos 11,5 mil entrevistados em todos os Estados-membros, apenas 22% acreditam que a política migratória deveria ficar a cargo do próprio país. A segunda edição da pesquisa "Europinions", que analisou a opinião dos cidadãos da UE sobre as políticas migratórias e de asilo, aponta que 87% dos entrevistados são favoráveis a medidas comuns de segurança das fronteiras externas do bloco. Segundo o estudo, 79% defendem uma distribuição justa dos refugiados entre todos os Estados-membros da UE, enquanto a mesma porcentagem dos entrevistados deseja que a livre circulação entre os países do bloco seja preservada. Além disso, 69% acham justo que os países que não aceitarem sua parcela de responsabilidade recebam menos dinheiro dos cofres europeus. Apesar de os índices de aprovação de políticas de asilo e migratória comuns atingirem números bastante altos, não é possível afirmar que os europeus, de modo geral, vejam positivamente a chegada dos refugiados a seus países. Nesse ponto, a pesquisa mostra uma divisão maior nas opiniões dos europeus: 50% afirmam que às vezes se sentem como estrangeiros em seu próprio país, e 58% temem consequências negativas para o sistema de bem-estar social. Além disso, 54% dos cidadãos europeus acreditam que os critérios da UE para a concessão de asilo não devem ser demasiadamente generosos.

Países do leste se contrapõem a Merkel

Antes da reunião de cúpula da UE, marcada para esta quinta e sexta-feira, líderes de países do leste europeu ressaltaram a importância de fazer frente às políticas da chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel. Os países do chamado grupo Visegrad, Polônia, Hungria, República Tcheca e Eslováquia,  alertaram na segunda-feira, durante uma reunião em Praga, sobre a possibilidade de fechar a chamada rota dos Bálcãs, na fronteira com a Grécia. A Macedônia também participou da reunião. Ao jornal alemão Stuttgarter Zeitung, Merkel afirmou que "apenas a Macedônia, que não é membro da UE, pode erguer uma cerca sem se preocupar com as consequências que isso pode acarretar à Grécia – essa não seria uma conduta europeia e não irá resolver nossos problemas". Os quatro países do grupo Visegrad desejam apoiar a Macedônia e a Bulgária, através do envio das forças armadas, guardas de fronteira e cercas de arame farpado. A Grécia, país que recebeu milhares de refugiados nos últimos meses, não foi convidada a participar do encontro.

Plano B para crise migratória

A República Tcheca, a Polônia, a Hungria e a Eslováquia prometeram na segunda-feira apoiar a Macedônia e a Bulgária no controle de suas fronteiras caso a Grécia e a Turquia não consigam conter em breve o fluxo migratório. Um plano alternativo para a proteção das fronteiras da Macedônia e a Bulgária foi discutido durante a cúpula dos líderes do Visegrad, grupo de cooperação do qual fazem parte a República Tcheca, a Polônia, a Hungria e a Eslováquia. – Não podemos deixar os países dos Bálcãs sozinhos – afirmou o primeiro-ministro tcheco, Bohuslav Sobotka, após o encontro em Praga, e ressaltou que, além do plano de ação com a Turquia, a União Europeia (UE) precisa preparar medidas de segurança para proteger suas fronteiras externas. Os países exigiram o apoio da UE ao plano alternativo caso a Turquia e a Grécia não consigam controlar a crise migratória. "Contamos que o plano de ação entre a União Europeia e a Turquia funcione, mas preciso admitir que estou pessimista", disse o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, acrescentado que, por isso, os líderes conversaram sobre um plano B. O encontro ocorreu poucos dias antes da cúpula da União Europeia. A decisão do Visegrad bate de frente com a posição da Alemanha. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, defende uma solução para crise migratória em conjunto com a Grécia e a Turquia e é contrária ao fechamento de fronteiras dentro do bloco. – A fronteira externa de Schengen que é decisiva para o movimento de refugiados está entre a Turquia e a Grécia – disse Merkel, em entrevista ao jornal alemão Stuttgarter Zeitung. – Simplesmente construir uma cerca de proteção na Macedônia, que nem membro da UE é, e não nos preocuparmos com a situação emergencial que isso provocaria na Grécia não somente é um comportamento pouco europeu, como também não resolve nosso problema, ressaltou Merkel. O ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, também alertou contra soluções simplistas e lembrou que a Grécia faz parte da União Europeia e, por isso, o bloco tem a obrigação de proteger suas fronteiras. Steinmeier ressaltou ainda que a Turquia tem um papel fundamental para conter o fluxo migratório. Há meses a Grécia está sob pressão devido ao grande número de refugiados que chega ao país, vindos da Turquia, e que seguem viagem, sem impedimentos, pela rota dos Bálcãs para a Alemanha, Áustria e Suécia. A situação levou vários países do espaço de Schengen, de livre circulação no bloco, a adotarem controles em suas fronteiras.
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