O ministro do Meio Ambiente da Áustria, Nikolaus Berlakovich, exigiu testes de resistência para todos os reatores nucleares na União Europeia. Para ele, os testes podem mostrar se os programas de segurança ainda são válidos, após a experiência no Japão. A sugestão foi feita durante o encontro dos ministros do Meio Ambiente da UE em Bruxelas, nesta segunda-feira (14/03). A Áustria não possui usinas termonucleares em atividade.
"A população europeia está insegura. Assim, os testes de resistência devem ser realizados logo. Foram feitos 'testes de estresse' com os bancos; isso deu segurança à economia. Agora as pessoas esperam segurança pessoal, por isso devemos testar as usinas nucleares", disse Berlakovich.
Nada é impensável
O comissário da UE para Energia, Günther Oettinger, convidou para uma reunião extraordinária representantes dos órgãos fiscalizadores, das operadoras de energia e dos construtores de usinas de todos 27 Estados-membros do bloco europeu.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Protesto em Leipzig por desligamento das usinas alemãs
Em entrevista à rádio Deutschlandfunk, Oettinger definiu o que acontece no Japão como algo que seria impensável há poucos dias. "Por isso, nós, na Europa, não devermos jamais dizer que nossos modelos teóricos contêm tudo. Para nós, um vírus de computador ou uma queda na rede elétrica tampouco são inimagináveis", disse.
A falha de abastecimento elétrico nas unidades nucleares japonesas provocou o colapso do sistema de refrigeração dos reatores. O comissário da UE informou que as regulamentações de segurança e os padrões para todas as 143 unidades de energia nuclear nos 14 países-membros com reatores em atividade precisam ser testados, mas "a fundo e sem julgamentos precipitados".
O processo pode "durar dias, mas é de grande valor para todos. Está claro que segurança é indivisível na Europa, portanto a Áustria, mesmo não tendo nenhuma usina nuclear, é afetada pelas questões de segurança", declarou Oettinger.
Indagada sobre como vê a energia atômica, em face da situação no Japão, a comissária da UE para o Clima, Connie Hedegaard, replicou: "Não importa como queiramos ver a situação, ainda vamos ter que manter a energia nuclear por um bom tempo. A verdadeira questão aqui é a segurança".
França tem maioria dos reatores
Em princípio, a produção de energia é assunto de cada Estado-membro da União Europeia, assim como o aspecto da segurança. A UE tem somente uma função coordenadora na política atômica, os governos nacionais são responsáveis pelo licenciamento e supervisão de suas usinas nucleares.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Usina de Philippsburg, Karlsruhe, também deve ser submetida a testes de resistência
Alguns países da UE, como a Alemanha, pretendem, a longo prazo, abandonar a energia nuclear. Outros países, como a Itália ou a Polônia, se preparam para adotar essa forma de produção. A República Tcheca, Eslováquia, Bulgária e Lituânia pretendem construir novas unidades termonucleares.
Com um total de 58 unidades, responsáveis por 75% da energia do país, a França é, de longe, a campeã europeia em número de usinas nucleares. O país ainda exporta energia elétrica de origem termonuclear em grande quantidade, por exemplo, para a Itália. Também a Bélgica produz mais energia do que consome.
A ministra francesa do Meio Ambiente, Nathalie Kosciusko-Morizet, assegurou à rádio Europe 1 que as unidades de seu país são suficientemente protegidas contra catástrofes naturais. A usina de Fessenheim, na fronteira da Alemanha, por exemplo, suportaria um terremoto de 6,7 pontos na Escala Richter.
O ministro britânico da Energia, Chris Huhne, declarou à BBC ter pedido aos órgãos de fiscalização atômica de seu país que estudem atentamente os desastres no Japão, aplicando suas eventuais conclusões às 19 unidades nucleares britânicas. A Alemanha informou que irá rever os modelos de segurança de todas as suas centrais termonucleares. Em 2010, o prazo de funcionamento destas foi prorrogado. Uma decisão que agora deve ser revista.
Autor: Bernd Riegert (MP)
Revisão: Augusto Valente