Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

UE contabiliza crise às vésperas de novas sanções contra Rússia

Terça, 09 de Setembro de 2014 às 11:24, por: CdB
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O primeiro-ministro da Rússia, Dmitry Medvedev, prometeu ajuda às empresas sob sanções
Os países da União Europeia irão discutir, dentro de algumas horas, se implementam novas sanções contra a Rússia por seu envolvimento na guerra na Ucrânia, informou a Comissão Europeia nesta terça-feira. O governo ucraniano de ultradireita, com apoio dos EUA, exortou o bloco de 28 nações a agir sem demora. Os governos da UE adotaram novas medidas contra Moscou na segunda-feira, mas adiaram sua aplicação para ter tempo de avaliar se o cessar-fogo na Ucrânia, acordado na última sexta-feira, está sendo mantido. O pacote de sanções inclui restrições de financiamento a bancos e petrolíferas estatais russas e ampliação da lista de indivíduos que não podem entrar na UE e que terão seus bens congelados, além de novas limitações à venda de produtos que podem ser usados para fins civis e militares. – O pacote foi adotado, agora teremos uma nova reunião amanhã (quarta-feira) que irá retomar os temas, entre eles a avaliação da implementação do acordo de cessar-fogo e do plano de paz. Vocês viram o que está acontecendo no território ucraniano, e também viram qual é a avaliação das autoridades locais. O cessar-fogo parece estar se mantendo, ainda que com alguns incidentes – disse a porta-voz da Comissão Europeia, Maja Kocijancic, em uma conferência de imprensa. O governo da Rússia, por sua vez, afirmou que apoiou e continuará a apoiar as empresas nacionais sob sanções ocidentais, independentemente da sua estrutura de propriedade. A garantia é do primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, segundo agências de notícias locais. "Esta é a responsabilidade do governo: proteger empresas russas que estão enfrentando ações desleais ou ilegais por parte de Estados estrangeiros ou empresas estrangeiras", declarou Medvedev ao CEO e coproprietário da Novatek, Leonid Mikhelson, de acordo com as agências. Entre as empresas atingidas está a Novatek e outro proprietário da empresa, Gennady Timchenko. Ambos estão sendo alvo de sanções dos EUA. A Novatek lidera o projeto Yamal-LNG, um planejamento de longo prazo para explorar e comercializar as vastas reservas de gás natural da península de Yamal, na Sibéria, que tem a estatal Gazprom como principal exploradora, com custos estimados de US$ 27 bilhões. Sem ferramentas Diante da retaliação russa às sanções europeias e norte-americanas, a estagnação da economia no bloco econômico torna-se uma dor de cabeça a mais para a Alemanha, motor econômico da Europa e um dos poucos Estados nacionais que ainda não viram a economia paralisada. Segundo afirmou o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schaeuble, nesta terça-feira, o Banco Central Europeu (BCE) está fazendo o que pode para ajudar a enfraquecida economia da zona do euro, mas basicamente usou todas as suas ferramentas. – Não é bom responsabilizar o Banco Central por crescimento e empregos. Ele está fazendo o que pode, mas basicamente exauriu suas ferramentas, como é possível ver com os acontecimentos atuais. Dinheiro barato tampouco pode forçar crescimento, ou não teríamos problemas agora – disse ele à câmara baixa do Parlamento da Alemanha. Na semana passada o BCE cortou os juros para uma mínima recorde e lançou um novo esquema para injetar dinheiro na economia da zona do euro, mas os resultados ainda estão muito aquém do previsto. Em meio ao agravamento na crise econômica, a Alemanha ainda enfrentava, nesta manhã, a greve de oito horas dos pilotos da Lufthansa, no aeroporto de Munique. Segundo o sindicato Vereinigung Cockpit, esta é a terceira greve dos pilotos da companhia aérea alemã em duas semanas e os pilotos querem aumentar a pressão sobre a Lufthansa nas negociações sobre um regime de aposentadoria antecipada. Eles realizaram uma greve em sua empresa aérea Germanwings no final de agosto, seguida por uma greve em Frankfurt na semana passada. A greve proposta em Munique, o maior aeroporto da Lufthansa depois de Frankfurt, ocorrerá das 10 às 18 horas do horário local, disse o sindicato. A Lufthansa disse que ainda não pode afirmar quais voos serão afetados e descreveu a greve como "incompreensível". O sindicato Vereinigung Cockpit representa cerca de 5,4 mil dos cerca de 9 mil pilotos da Lufthansa e as duas greves anteriores custaram à companhia aérea mais de 10 milhões de euros (US$ 12,9 milhões) no lucro operacional além de terem afetado as reservas de assentos. A greve de três dias dos pilotos em abril reduziu em 60 milhões de euros o lucro operacional do primeiro semestre da companhia aérea. Contingência Não bastassem os problemas no continente, o órgão regulador do mercado financeiro da Grã-Bretanha (FCA) disse nesta terça-feira que elaborou um "planejamento básico de contingência", para o caso de os escoceses votarem este mês pela independência da Escócia. Mas no caso de a Escócia se separar do Reino Unido, os parlamentares em Edimburgo terão de decidir como seu mercado financeiro será regulado, disse o presidente da Autoridade da Conduta Financeira, John Griffith-Jones. – Fizemos um planejamento básico de contingência – declarou Griffith-Jones à Comissão de Finanças do Parlamento. Faltando nove dias para o referendo sobre a independência da Escócia, as campanhas pró e contra estão disputando palmo a palmo o apoio dos eleitores, mas uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo instituto TNS mostrou um aumento no apoio à separação. Uma outra pesquisa publicada na edição de domingo do semanário inglês Sunday Times posicionava pela primeira vez o campo pró-independência na frente. Os planos da FCA incluem "certificar-se de que as linhas telefônicas estejam devidamente operadas para quando as pessoas ligarem ... certificar-nos de que temos uma posição quanto a que conselho seria apropriado dar no dia, quando os consumidores perguntam o que deveriam fazer", afirmou Griffith-Jones. Entrar nos detalhes provavelmente "vai ser complicado", acrescentou A possível separação dos escoceses, além de um fato histórico, deverá colaborar para a primeira elevação dos juros da Grã-Bretanha desde a crise financeira, mas o mercado de trabalho ainda está no processo de se recuperar, disse o presidente do Banco Central britânico, Mark Carney, nesta terça-feira. – Com muitas das condições para a normalização da economia agora alcançadas, o momento no qual as taxas de juros também começam a ser normalizadas está se aproximando. Não temos um curso pré-definido, no entanto; o momento dependerá dos dados – disse Carney em um discurso para representantes de sindicatos, no qual reiterou declarações anteriores sobre a perspectiva para a política monetária. Carney disse que o ritmo do crescimento dos salários na Grã-Bretanha tem sido muito fraco – a leitura mais recente mostrou que de fato os salários caíram na comparação anual. Isso no entanto reflete o modo como o país viu um salto em pessoas buscando emprego, e há sinais de que os salários "podem subir de maneira modesta nos próximos meses", acrescentou Carney.
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