Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 2026

UE condiciona fim de embargo a carne à inspeção de fazendas

Quinta, 07 de Fevereiro de 2008 às 15:12, por: CdB

A Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, afirmou nesta quinta-feira que só voltará a permitir qualquer importação de carne do Brasil depois de "analisar as garantias" proporcionadas pelas autoridades brasileiras a respeito das fazendas listadas como aptas para exportar para o bloco.

— Com base nessa análise, decidiremos quais fazendas poderemos incluir na lista (de exportadores) e quais teremos que esperar pelos resultados da inspeção do FVO —, disse à BBC Brasil a porta-voz da Comissão Européia para Saúde e Proteção ao Consumidor, Nina Papadoulaki.

O FVO (Departamento de Alimentação e Veterinária, na sigla em inglês) é responsável pelo controle sanitário na União Européia e deve enviar, no próximo dia 25, uma nova missão para avaliar se as fazendas brasileiras seguem os padrões de qualidade exigidos pelo bloco para a exportação de carne.

— Até o momento, no entanto, as autoridades brasileiras não forneceram à comissão relatórios completos das auditorias e inspeções que garantam que essas fazendas (as 2.681 que constam da lista enviada à Bruxelas há uma semana) cumpram todos os requisitos europeus para importação —, disse Papadoulaki.

Dúvida

A falta desses relatórios detalhados foi um dos fatores que levou o Executivo europeu a duvidar da lista elaborada pelo governo brasileiro, com um número de fazendas oito vezes maior do que o recomendado pelos técnicos do FVO, e decidir pela proibição total das importações.

O governo brasileiro se comprometeu então a entregar as informações relativas a cada uma das fazendas listadas até o próximo dia 15.

Mas nesta quarta-feira o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, informou que uma nova lista está sendo elaborada e que o número de estabelecimentos considerados aptos para a exportação deve ser reduzido para 683.

Kroetz admitiu que a maior parte das fazendas listadas anteriormente não haviam sido auditadas, como desconfiava a Comissão Européia.

Para a associação EuBrasil, dedicada a reforçar as relações entre a Europa e o Brasil, o recuo do governo brasileiro deve ser visto como "uma mostra de boa vontade para negociar e encontrar uma solução para o problema".

— Esperamos que esse movimento seja seguido por um movimento equivalente por parte das autoridades européias —, disse o presidente da associação, Luigi Gambardella.

— O mais importante agora é retomar as importações do Brasil. Depois, a lista (de fazendas) poderá ser ampliada. Do ponto de vista técnico, a redução do número de exportadores permitirá às autoridades brasileiras e européias conseguir melhores garantias de qualidade sobre a carne vendida aos consumidores europeus por um preço mais baixo, apesar de que, no momento, não há riscos envolvidos —, avalia Gambardella.

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