A União Européia (UE) está disposta a aumentar sua ajuda aos 10 países do sudeste asiático atingidos pelo maremoto para até 30 milhões de euros, que seriam canalizados através da conferência de doadores que propôs realizar.
No entanto, esta é apenas uma proposta, já que é esperada a confirmação dos países que estão dispostos a participar. Entre eles, estariam os 25 membros da UE, além de Estados Unidos e Japão.
A conferência de doadores teria uma dupla finalidade: arrecadar mais dinheiro e coordenar uma estratégia internacional de ajuda para a fase de reconstrução e reabilitação das nações atingidas pelo desastre.
Segundo o comissário europeu de Ajuda Humanitária, o belga Louis Michel, a realização da conferência "seria muito útil para coordenar" a ajuda internacional, por se tratar de uma catástrofe de "dimensões históricas".
- Trabalhar em 10 países por vez é muito complicado, por isso é preciso coordenar os esforços com o objetivo de garantir uma estratégia única, do contrário há risco de ampliar a catástrofe - disse o comissário a um grupo de jornalistas nesta terça-feira.
Segundo os dados oficiais, até o momento o número de vítimas fatais é de quase 40.000, mas este número poderia aumentar até 55.000, principalmente na Indonésia, Sri Lanka e Tailândia.
A série de maremotos que na segunda-feira atingiu o litoral de seis países do Índico teve sua origem em um tremor perto da ilha de Sumatra (Indonésia), de uma magnitude de 9 graus na escala Richter, o mais intenso dos últimos anos e o quinto desde 1900.
Para atenuar os efeitos desta tragédia, em um primeiro momento a Comissão Européia concedeu uma ajuda de urgência de 3 milhões de euros, mas nos próximos dias poderia elevá-la até 30 milhões.
Dez milhões serão destinados ao Sri Lanka e às Ilhas Maldivas, enquanto outros 10 milhões possivelmente irão para a Indonésia, segundo o comissário.
Louis Michel explicou que o problema não é reunir o dinheiro necessário para devolver a normalidade aos países atingidos pelo maremoto, mas distribuir esse montante de forma adequada, especialmente na fase posterior à reconstrução.
Segundo Michel, o mesmo aconteceu depois do furacão Mitch, que em 1998 atingiu principalmente Honduras e Nicarágua e deixou cerca de 1.200.000 pessoas atingidas, ou depois do terremoto na cidade iraniana de Bam, que causou a morte de mais de 26.000 pessoas.
- Nada será suficiente, é necessário fazer uma chamada aos países membros da União para que sejam generosos - continuou Michel, que nos próximos dias viajará para a região atingida pela catástrofe.
Além disso, a Comissão Européia decidiu mobilizar o chamado Mecanismo de Defesa Civil, que permitirá coordenar a ajuda dos Estados membros para os países atingidos pelo maremoto.
Já foram enviadas para a Tailândia e Sri Lanka várias equipes de avaliação, o que permitirá que a Comissão coordene a chegada e a distribuição de ajuda para calcular as necessidades futuras.
A Unidade de Defesa Civil (UDC) da Comissão Européia também está trabalhando com a presidência holandesa rotativa da UE e com outros Estados membros para facilitar a retirada dos cidadãos dos países membros do bloco europeu que estavam de férias nas nações atingidas pelo desastre.
O ministro belga de Cooperação, Armand de Decker, inclusive pediu que seu colega de Luxemburgo, Jean-Louis Schiltz, cujo país presidirá a UE a partir de 1 de janeiro, convoque uma reunião extraordinária para coordenar a ajuda européia depois do maremoto.
Além disso, Decker pediu outra reunião no início de janeiro com as Organizações Não-Governamentais (ONGs) que fazem trabalhos humanitários na região.
A Médicos do Mundo anunciou nesta terça-feira o envio de duas missões de urgência, uma para a Indonésia e outra para o Sri Lanka, formadas por médicos, psicólogos e enfermeiros.
Vários Estados membros da UE também oferece