O novo governo da Ucrânia quer intensificar as relações comerciais com os países da América Latina, especialmente o Brasil. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Borys Tarassiuk, realiza até esta quarta-feira a primeira visita oficial ao Brasil desde a posse do presidente Viktor Yuchshenko, em dezembro do ano passado. Pela primeira vez na história, a Ucrânia elegeu um governante de esquerda que acabou assumindo o poder depois de um conturbado processo eleitoral.
Em entrevista, o ministro Borys Tarassiuk disse que a sua visita ao Brasil foi um pedido do próprio presidente Yuchshenko, que deseja ampliar a cooperação com os países latino-americanos. Segundo Tarassiuk, as trocas comerciais do Brasil com a Ucrânia não chegaram a US$ 500 milhões ano passado, o que representa um número pouco significativo para os dois países:
- O número não é tão otimista, mas se olharmos a história das nossas relações bilaterais, que são apenas de dez anos, já é alguma coisa. Temos a visão de diversificar as nossas trocas comerciais - ressaltou.
Entre os projetos capazes de incrementar as trocas comerciais entre Brasil e Ucrânia, o ministro Tarassiuk ressaltou a cooperação no setor espacial com o lançamento de satélites a partir de foguete ucraniano da Base de Alcântara (MA):
- Temos projetos promissores e os dois países podem se beneficiar em termos iniciado os acordos bilaterais - disse.
Tarassiuk discutiu com o ministro Celso Amorim a reestruturação da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o chanceler, a Ucrânia apóia a pretensão do Brasil de ocupar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e tem "vontade política" para continuar discutindo o tema.
- Eu acho que, levando em conta a motivação da complementaridade, juntos nós podemos tornar esse tema para uma solução positiva - afirmou.
Atualmente, dos 191 países que integram a ONU apenas cinco têm assento permanente e direito a veto no Conselho de Segurança: Rússia, China, Estados Unidos, Inglaterra e França.