Dirigente de facto da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk quer reagir à ocupação russa mas tem poucos soldados
A Ucrânia convocou os seus poucos militares reservistas que restaram após uma debandada em massa dos quartéis, e ordenou que forças armadas que ainda estão na ativa para que fiquem prontas para o combate o mais rápido possível, disse a principal autoridade de segurança do país no domingo. Andriy Paruby, o secretário do Conselho de Segurança, que reúne os principais chefes de Segurança e de Defesa do país, diante do rápido enfraquecimento do setor militar, disse que um pedido também havia sido feito ao Ministério das Relações Exteriores para buscar a ajuda dos Estados Unidos e do Reino Unido para garantir a segurança da Ucrânia.
As decisões foram tomadas depois da votação da Câmara Alta do Parlamento russo, no sábado, que autorizou o presidente Vladimir Putin a enviar tropas para a Ucrânia. Ucranianos de até 40 anos de idade são considerados aptos para o serviço militar. Na região sul da Crimeia, que tem uma maioria étnica russa e abriga uma base naval russa, grupos armados tomaram o controle de edifícios e instalações-chave. As forças armadas, disse ele, vão reforçar a segurança em instalações de energia.
Segundo a autoridade de facto da Ucrânia, Arseniy Yatseniuk, as tropas russas invadiram o território.
– Esta é, na realidade, uma declaração de guerra contra o meu país. Urge que (o presidente) Putin chame de volta suas tropas, que ocupam nosso país, e honre os acordos bilaterais. Se ele quiser ser o presidente que iniciou uma guerra contra um país vizinho e amigo, está a apenas alguns centímetros de conseguir seu objetivo – disse.
Poucas opções
Segundo analistas internacionais pesquisados pela reportagem do Correio do Brasil, com as potências do Ocidente cada vez mais concluindo que a Ucrânia já perdeu a Crimeia para a Rússia, os Estados Unidos e seus aliados contam com poucas opções viáveis e sérias questões sobre as futuras relações entre os países. A maneira como os eventos vão se desenrolar nos próximos dias pode ajudar a moldar o mapa geopolítico dos próximos anos.
Qualquer ação militar ocidental direta arriscaria uma guerra entre as superpotências nucleares. Relativamente pequena e com arsenal reduzido, as forças da Ucrânia poderiam agir, mas correriam o risco de incitar uma invasão russa muito mais ampla que poderia dominar o país. Obama, em particular, enfrenta algumas exigências nacionais para apoiar a Ucrânia e, com a clara perseguição aos judeus ucranianos, o apetite para o envolvimento militar está aparentemente ausente. No sábado, o Pentágono disse que não houve mudança nas operações de suas tropas.
– Para o Ocidente, é uma posição muito difícil – disse Nikolas Gvosdev, professor de segurança nacional do Naval War College dos Estados Unidos.
As forças russas sem insígnia oficial tomaram o controle de importantes instalações na península da Crimeia, no Mar Negro, ao longo dos últimos três dias e cercaram unidades militares ucranianas. O melhor que pode ser feito agora, dizem algumas atuais e antigas autoridades, é evitar uma nova escalada que faça Moscou assumir o leste industrializado da Ucrânia, também majoritariamente de língua russa e muito maior e economicamente mais importante.
"Washington e outras potências da Otan também precisam encontrar uma forma de tranquilizar os Estados do Leste Europeu cada vez mais aflitos - especialmente os bálticos ex-soviéticos - de que suas garantias de defesa serão honradas, sem escalar as tensões", afirma o site especializado em questões bélicas InfoWar.
Tropas em prontidão
"O risco de erros é alto. Assim como as forças convencionais, a Rússia pode cortar o fornecimento de gás para a Europa, cujos gasodutos passam pela Ucrânia, e acredita-se que o país tenha capacidades de ataque cibernéticos sofisticados que poderiam ser usadas contra a Ucrânia ou o Ocidente", acrescenta.
– Esta é, sem dúvida, a situação mais perigosa na Europa desde a invasão soviética da Tchecoslováquia em 1968. Com as tropas de prontidão em exercício no distrito militar ocidental (da Rússia ), eles estão em uma posição forte – disse um diplomata ocidental que não quis ser identificado.
As tropas soviéticas invadiram a Tchecoslováquia em 1968, após a "Primavera de Praga" ver um governo mais moderado chegar ao poder, considerado muito mais aberto para o Ocidente que para a antiga União Soviética. Apesar dos pedidos de ajuda feitos pela Tchecoslováquia, Washington e seus aliados ofereceram pouco mais do que críticas, relutantes em arriscar uma guerra nuclear depois da crise dos mísseis cubanos, seis anos antes.
O atual impasse é mais perigoso do que durante a guerra de 2008 na Geórgia, em que os países ocidentais se contiveram em parte porque o governo da Geórgia foi acusado de promover uma escalada da guerra por meio de uma tentativa de dominar a disputada região da Ossétia do Sul. Com o envio de tropas para a Ucrânia, em contrapartida, Moscou é visto como tendo invadido unilateralmente um Estado soberano - embora haja forças russas na Crimeia, em uma base alugada para sua frota do Mar Negro, em Sebastopol.
Países membros da Otan não têm alianças que os vinculem à Ucrânia, apesar de autoridades ocidentais terem sido amplamente favoráveis à derrubada do presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich na semana passada, depois que dezenas de manifestantes favoráveis à Europa foram mortos a tiros. Fronteiras da Ucrânia também foram garantidas pelo Memorando de Budapeste, de 1994, também assinado por Rússia, EUA e Grã-Bretanha, em troca da desistência de armas nucleares da era soviética restantes no país após o colapso da URSS.
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