Ucrânia: líder separatista anuncia ofensiva e afasta negociações de paz
O líder dos separatistas de Donetsk, Alexander Zajarchenko, anunciou nesta sexta-feira uma ofensiva contra as forças de Kiev e afastou a possibilidade de iniciativas de paz por parte dos rebeldes pró-russos. “Não haverá mais tréguas”.
Líder separatista ucraniano Alexander Zakharchenko Presidente russo, Vladimir Putin
O líder dos separatistas de Donetsk, Alexander Zajarchenko, anunciou nesta sexta-feira uma ofensiva contra as forças de Kiev e afastou a possibilidade de iniciativas de paz por parte dos rebeldes pró-russos. “Não haverá mais tréguas”, disse Zajarchenko, acrescentando que as milícias já combatem os soldados ucranianos em vários pontos numa ofensiva que vai se estender “até a fronteira da região de Donetsk”.
Essa ofensiva coloca em xeque os pontos centrais dos acordos de Minsk, assinados em setembro com o governo de Kiev, e que estabelecem uma linha de separação das duas partes (forças governamentais ucranianas e milícias separatistas) e a retirada de armamento pesado.
As declarações de Zajarchenko surgem dois dias após o encontro de Berlim que reuniu os ministros dos Negócios Estrangeiros da Rússia e da Ucrânia. Eles concordaram em organizar negociações entre Kiev e os comandantes separatistas, nos próximos dias.
Nos últimos dias, as milícias de Donetsk conquistaram áreas estratégicas, como o aeroporto nos arredores da cidade, transformado em campo de batalha durante os últimos meses.
O líder separatista disse que as únicas negociações que admite são os contatos entre as duas partes sobre a possibilidade de troca de prisioneiros.
Na quinta-feira, o comandante da Organização do Tratado do Atlântico Norte na Europa, Philip Breedlove, disse que a situação piorou em uma escala “sem precedentes”.
Putin culpa Kiev
O presidente russo, Vladimir Putin, culpou nesta sexta-feira "ordens criminosas" de Kiev por uma escalada no conflito no leste da Ucrânia, em que civis acabaram mortos.
Falando para representantes de alto escalão do governo, Putin disse que a Ucrânia não respondeu à proposta feita em carta por ele ao presidente ucraniano, Petro Poroshenko, para uma retirada das armas pesadas da linha de frente, medida destinada a abrir caminho para um cessar-fogo.
O gabinete de direitos humanos da ONU disse nesta sexta-feira que 262 pessoas foram mortas no conflito do leste da Ucrânia nos últimos nove dias, descrevendo o intervalo como o "período mais mortal" desde que um acordo de cessar-fogo foi firmado em setembro.
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