Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Ucrânia inicia retirada de artilharia pesada

A Ucrânia anunciou nesta quinta-feira que iria começar a retirar a artilharia da linha de frente do confronto com rebeldes separatistas, no leste do país, um movimento que equivale a reconhecer que o cessar-fogo em vigor desde 15 de fevereiro está sendo mantido.

Quinta, 26 de Fevereiro de 2015 às 08:16, por: CdB
ucrania-11-15-09.jpg
Militares ucranianos preparam retirada da região de Debaltseve, perto de Artemivsk
  A Ucrânia anunciou nesta quinta-feira que iria começar a retirar a artilharia da linha de frente do confronto com rebeldes separatistas, no leste do país, um movimento que equivale a reconhecer que o cessar-fogo em vigor desde 15 de fevereiro está sendo mantido. Os rebeldes pró-Rússia começaram há dois dias a retirar as armas pesadas, mas o governo ucraniano estava relutante, argumentando que os combates ainda não haviam cessado. No entanto, o Exército não relatou baixas em enfrentamentos no fronte pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira, na primeira vez em que não houve morte de soldados desde que começou a ser implementada a trégua mediada pela França e Alemanha. A retirada de artilharia é o "item número 2" do acordo de paz firmado em 12 de fevereiro na capital de Belarus, Minsk, ou seja, isso equivale ao reconhecimento de que o primeiro tópico - o próprio cessar-fogo - está sendo observado. "A Ucrânia começou a retirada das armas de 100 milímetros da linha de confronto", disseram os militares em um comunicado, assinalando que a etapa seria monitorada pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. "O lado ucraniano exige um cessar-fogo total e a imediata implementação do acordo de Minsk por todos os signatários. Em caso de qualquer tentativa ofensiva, o cronograma de retirada pode ser revisto", disse o comunicado militar. "As forças ucranianas estão totalmente preparadas para defender o país." Jornalistas da agência inglesa de notícias Reuters em Donetsk, cidade sob controle rebelde, disseram não ter ouvido nenhum disparo de artilharia durante a noite. Os separatistas inicialmente ignoraram a trégua na semana passada para empreender um avanço que resultou em uma das maiores batalhas de uma guerra com saldo de mais de 5.600 mortos. Mas, desde a captura da cidade estratégica de Debaltseve, entroncamento ferroviário no qual, segundo os rebeldes, a trégua não se aplicava -, eles têm se esforçado para enfatizar que agora pretendem cumpri-la. Os países ocidentais condenaram os rebeldes e o presidente russo, Vladimir Putin, a quem acusam de apoiar os separatistas, pelo avanço em Debaltseve após a trégua entrar em vigor. Mas depois disso eles vêm mantendo a esperança de que o cessar-fogo seja respeitado, já que os rebeldes têm agido nesse sentido. Nos dias após suas tropas serem expulsas de Debaltseve, o governo ucraniano afirmou acreditar que os rebeldes estavam reforçando suas unidades para outro avanço e expressaram principalmente o temor de um ataque à cidade portuária de Mariupol, com 500.000 habitantes. Os países ocidentais vêm ameaçando impor novas sanções econômicas a Moscou se os rebeldes avançarem ainda mais no território que o governo russo chama de "Nova Rússia". Moscou, que nega auxiliar os separatistas na Ucrânia, disse nesta quinta-feira que as ameaças de mais sanções são uma desculpa para os esforços ocidentais de minar a trégua. - É uma tentativa de distrair a atenção da necessidade de cumprir as condições dos contratos de Minsk, disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.  
Tags:
Edições digital e impressa